
Tendências apontam a integração entre inteligência artificial e sensibilidade humana, o fortalecimento do esporte como ecossistema cultural e a busca por relevância criativa em um cenário de exaustão de conteúdo
A comunicação entra em 2026 mais criativa e atenta às possibilidades trazidas pela tecnologia e pela disseminação da inteligência artificial, mas também mais consciente da urgência em resgatar conexões humanas genuínas. Autenticidade, emoção, relevância e legado foram algumas das palavras-chave que marcaram o encontro “Horizontes do Marketing 2026 – Perspectivas de Grandes Nomes da Comunicação para o Próximo Ano”, promovido pela BPool, em parceria com a Stone.
“Atuamos em um modelo de marketplace corporativo, conectando grandes empresas a um ecossistema vivo e hiperespecializado formado por agências independentes ou especializadas, studios criativos e talentos freelancers. Essa rede nos dá algo raro hoje: uma visão plural e de contexto, que permite enxergar para onde o mercado está indo e o que vai deixar de funcionar”, afirma Simone Gasperin, Sócia & Head de Marketing e Growth da BPool.
Entre os pontos destacados pelos palestrantes, o consenso é que 2026 será o ano em que tecnologia e afeto precisarão caminhar lado a lado. A seguir, as cinco as principais tendências que refletem esse movimento:
IA com alma: o fio condutor de 2026
IA, automação e agentes inteligentes continuarão evoluindo, mas o diferencial competitivo estará no uso criterioso, criativo e humano dessas ferramentas. “Automatizar o que é operacional e humanizar as ferramentas será o equilíbrio-chave. A próxima revolução não é artificial. É emocional”, destacou Rapha Borges (Tiger), sintetizando o espírito do evento.
Esporte como plataforma de negócio
No painel “How to Play in Sports 2026”, Chris Coelho (Liga CB) e Tiago Pinto (The Brand Academy) mostraram como o esporte deixou de ser apenas entretenimento para se tornar uma plataforma de dados, comunidade e cultura. A Kings League, que mistura futebol, streaming e gaming, simboliza essa virada e já alcança a quase totalidade da Geração Z.
Entre os movimentos mais fortes estão:
• Female power, dentro e fora de campo;
• Storytelling humanizado: ou seja, menos highlight e mais bastidor;
• Fanverso, comunidades que participam, não apenas assistem.
Para as marcas, esporte não é apenas mídia. É cultura, potência e uma oportunidade real de engajamento, comunidade e geração de novas receitas para as marcas.
Influência na era da exaustão
Na sequência, Inaiara Florêncio (Gana) abordou o esgotamento cognitivo e a saturação de conteúdo que desafiam o marketing de influência. Segundo ela, 2026 será o “ano da reorientação”, guiado por três movimentos:
• Nostalgia doméstica, antídoto para a ansiedade tecnológica;
• Offline ritualizado, em resposta ao excesso de estímulo;
• Imperfeição, antídoto ao filtro sintético.
Segundo Inaiara, o influenciador precisa reconectar-se com a verdade, construindo comunidade em vez de audiência e afinidade em vez de hype.
Criatividade e relevância como métrica de relevância
Para Rafa Caldeira (404), “relevância é a nova métrica”. As experiências coletivas estarão no centro das estratégias de marca, e a IA só gera valor se oferecer utilidade real. O espaço da criatividade humana está no erro, no improviso e na leitura de contexto, exatamente o que diferencia marcas vivas de marcas genéricas. “As máquinas ainda não erram tão bem quanto nós”, afirma.
Lu Mônaco (Atenas.ag) reforçou a importância da inteligência cultural, que olha menos para o “macro da cultura” e mais para os microcontextos, nichos e narrativas locais capazes de gerar memórias afetivas. “Para a experiência virar memória coletiva, ela precisa tocar o indivíduo primeiro”, afirmou.
Profundidade em um mundo superficial
Zé Pedro Paz (DZ) pontuou que vivemos “o momento mais criativo e mais ansioso da história”, e que as marcas precisam reencontrar os pilares da conexão humana, autenticidade e consistência. Já Eduardo Tracanella (Al.in), encerrou o evento com uma síntese sobre o que sustenta uma marca ao longo do tempo: alma, inteligência, coragem ao quadrado e tempo.
O marketing está voltando ao essencial. O dado continua sendo fundamental, mas precisa vir acompanhado de contexto. A inteligência artificial segue em expansão, desde que usada com propósito e senso de oportunidade. O creator mantém relevância, mas como parceiro estratégico, não apenas como mídia. A experiência ganha força, mas deve estar enraizada na cultura. E o esporte consolida-se como um verdadeiro ecossistema, e não mais como simples patrocínio isolado. Mais do que tendências, 2026 chega como um convite para fazer menos do mesmo e mais do que realmente importa.




