302 views 4 mins

Os 4Ps não morreram: eles evoluíram (e com muito CGI e IA Generativa)

em Destaques
terça-feira, 27 de maio de 2025

Rosana Marques (*)

Durante anos, os clássicos 4Ps do marketing (Produto, Preço, Praça e Promoção) foram considerados ultrapassados por muitos profissionais da área, sendo gradualmente substituídos pelos 4Cs (Cliente, Custo, Conveniência e Comunicação). Essa transição refletiu uma tentativa legítima de acompanhar o novo perfil do consumidor digital e suas exigências.

No entanto, o avanço de tecnologias como CGI (Computer-Generated Imagery), IA Generativa e Realidade Aumentada não apenas mudou a forma como o conteúdo é criado e distribuído, como também resgatou e redefiniu os fundamentos originais do marketing sob uma nova perspectiva. Dados de 2024 publicados pela Statista mostram que a receita global do mercado B2C de realidade aumentada e virtual está em trajetória de crescimento acelerado, com destaque para os segmentos de jogos e varejo, um claro sinal de que experiências imersivas e interativas não são mais uma tendência, mas uma exigência estratégica para marcas que querem se manter relevantes no ambiente digital.

A revalorização dos 4Ps, nesse novo contexto, revela uma necessidade urgente: o marketing visual e imersivo precisa de estrutura para gerar valor real. Hoje, o “Produto” não se limita ao físico ou digital — ele é phygital, um híbrido entre o tangível e o virtual, onde a experiência sensorial e o storytelling visual se encontram. O “Preço”, antes associado ao custo final, agora é também mensurável em termos de retorno sobre investimento (ROI), com a IA generativa otimizando criativos e reduzindo o custo de produção.

A “Praça” não se limita mais à geografia, e sim à fluidez de experiências omnichannel, onde o cliente transita entre plataformas, redes sociais e pontos de venda físicos com continuidade. Já a “Promoção” vai além de campanhas publicitárias tradicionais: é conteúdo visual dinâmico, escalável, responsivo, capaz de gerar conversão e engajamento em tempo real. Tudo isso com agilidade e sofisticação, graças ao poder combinado de CGI e inteligência artificial.

O desafio, portanto, não está nos conceitos em si, mas na forma como o mercado insiste em tratá-los como opostos. A ideia de que os 4Ps são arcaicos enquanto os 4Cs são modernos desconsidera que os dois conjuntos podem (e devem) coexistir. A crítica válida é à rigidez com que se aplicaram os 4Ps no passado, sem considerar a evolução dos canais, do comportamento do consumidor e, agora, das tecnologias criativas. Profissionais que continuam a aplicar os 4Ps como fórmulas fixas, desvinculadas da jornada digital e dos recursos visuais imersivos, estão, na prática, perdendo relevância frente à nova era da criação e consumo.

A solução está em abandonar o pensamento binário. Em vez de escolher entre os 4Ps ou os 4Cs, o marketing contemporâneo precisa de um modelo integrador, que resgate a lógica estratégica dos 4Ps e a potencialize com tecnologias como CGI, Gen AI e Realidade Aumentada. Esse reposicionamento permite que marcas criem produtos com propósito, estabeleçam preços com inteligência de dados, entreguem experiências fluidas e promovam conteúdos que realmente convertem. Não se trata de nostalgia, trata-se de evolução. E nesse novo cenário, quem sabe operar os fundamentos com as ferramentas certas, sai na frente.

(*) Sócia e Produtora Executiva da Muva.