Como cuidar do emocional e melhorar a experiência dos colaboradores

Gisele Paula (*)

A pandemia está gerando uma grande transformação social e não podemos achar que diante disso, tudo possa continuar normal em uma rotina de trabalho.

No começo, diversas empresas criaram iniciativas para apoiar seus colaboradores psicologicamente, com atividades, happy hours virtuais, exercícios físicos remotamente, entre outras coisas, mas não o suficiente para atravessar um ano e alguns meses de isolamento social.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Cliente Feliz, startup que aplica soluções e metodologias para melhorar a experiência das empresas com seus clientes, com colaboradores de diversas companhias brasileiras, aponta que 65% deles relatam que suas empresas não adotaram nenhuma iniciativa para cuidar do equilíbrio emocional de seus funcionários.

Algumas ações podem ser tomadas para minimizar os impactos desse desequilíbrio global no emocional das equipes e cuidar de quem cuida dos seus clientes. Diante disso, Gisele Paula, fundadora do Instituto separou algumas dicas:

  1. Dê tempo aos seus colaboradores – Algumas empresas como LinkedIn, por exemplo, têm dado uma semana de folga aos seus colaboradores. Porém, como nem sempre isso é possível, principalmente quando estamos falando de atendimento ao cliente, há outros caminhos que podem oferecer benefício e bem-estar as pessoas que trabalham contigo.

Algumas opções como uma hora a mais de almoço, um dia de descanso ou duas horas a menos de trabalho na semana, já impactam positivamente a produtividade. Reduzir a carga de expediente das pessoas e orientar que elas usem esse tempo em benefício próprio, com certeza é a melhor forma de fazer com que o colaborador alivie suas tensões e possa descansar ou usar da maneira como preferir.

  1. Faça um one to one com seu time – Nem todo mundo fala nas reuniões semanais em grupo. Então tenha uma conversa individual com cada membro da sua equipe e pergunte: você está bem? Fale das suas fragilidades como pessoa, se torne vulnerável para que o colaborador se sinta à vontade e próximo a ti, para que ele possa se abrir com você.

As pessoas querem ser ouvidas, mesmo que você não tenha o que dizer, apenas ouça, isso importa muito.

  1. Crie rituais – Alguns estudos confirmaram que os rituais dão um certo ar de “normalidade” às pessoas, além de transmitir segurança diante do caos. Então se sua empresa ainda não tem, crie momentos para a descontração, hora do cafezinho, do happy hour, pausa para descanso, para o estudo, para troca de ideias, entre outros.

O importante aqui é que realmente essas ações sejam sagradas e respeitadas por todos da empresa.

  1. Crie hábitos saudáveis na companhia – Não diga apenas que você apoia, mas crie programas que promovam hábitos saudáveis de alimentação e atividades físicas. Algumas empresas adotaram yoga, nutricionista e personal. Levaram profissionais que pudessem falar sobre saúde mental e produtividade em uma imersão digital, mas também proporcionaram que seus clientes pudessem ter momentos relaxantes em suas casas.

Além disso, se faça presente no dia a dia dos seus colaboradores, não faça que a busca por resultados seja mais importante do que as pessoas que estão envolvidas no dia a dia.

  1. Ofereça flexibilidade e diálogo – Não vai adiantar só implantar alguns programas e não falar mais do tema. Tenha comunicação ativa sobre o tema, esteja aberto a sugestões de mudança, seja flexível em relação ao horário de trabalho. Algumas empresas nos EUA adotaram até licenças remuneradas para profissionais que estão nesse momento exercendo papel de cuidador de algum familiar doente ou filhos.

Dar tempo às pessoas e estar perto delas vai ajudar muito as empresas compreenderem os sinais de descompasso emocional que sua equipe pode estar sofrendo.

Todos nós podemos ser mais leves na comunicação, mais tolerantes, ir menos para embates, diminuir silos e criar pontes quando nos desarmamos e percebemos que todos estão no mesmo barco lutando para que tudo isso passe. As empresas que desejam prosperar, vencer essa crise, tornar sustentáveis e vender mais, precisarão olhar para quem cuida dos seus clientes. Cuidar de quem cuida para ir mais longe!

(*) – É CEO e fundadora do Instituto Cliente Feliz.

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