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Arquitetura de Franquias: experiência imersiva ou foco na venda?

em Destaques
segunda-feira, 01 de setembro de 2025

Especialistas avaliam os caminhos do design comercial

A arquitetura de franquias sempre caminhou sobre uma linha tênue entre eficiência comercial e identidade de marca. Com consumidores cada vez mais exigentes e conectados, surge uma questão central no varejo contemporâneo: deve-se priorizar a experiência imersiva ou concentrar os esforços no foco direto da venda?

Para as arquitetas Pamella Gonçalves e Carina Guevara, escritório Arquitetura de Consumo, a resposta está no equilíbrio, mas também no entendimento profundo do público e do posicionamento da marca.

A loja como mídia: mais do que vender, precisa emocionar – Pamella defende que o ponto de venda físico se tornou, mais do que nunca, uma extensão sensorial da marca. “A arquitetura precisa contar uma história, provocar sensações. Não basta ser funcional, tem que ser memorável”, explica. “Em um mercado onde todos vendem os mesmos produtos, o diferencial está na experiência.”

Segundo ela, o projeto arquitetônico de uma franquia precisa despertar conexão imediata. “Não é sobre decorar, é sobre criar um espaço onde a marca vive e interage com o cliente de forma autêntica. Essa vivência, por si só, potencializa a venda”.

Padronização x personalização: o desafio das redes – Já Carina Guevara destaca o desafio de escalar identidade e impacto sem perder a consistência. “A franquia exige padronização para garantir reconhecimento e eficiência operacional. Mas isso não deve anular a capacidade de surpreender o cliente localmente.” Para ela, o segredo está em trabalhar módulos de personalização controlada, adaptando elementos como cores, layout ou ambientação para culturas regionais, mantendo o DNA da marca.

“É preciso desenhar espaços que vendem, sim, mas que também acolhem, despertam desejo e criam rituais. A arquitetura deve ser estratégica, cada metro quadrado precisa performar e emocionar ao mesmo tempo.”

Quando a experiência vira resultado – A convergência entre venda e experiência tem se mostrado lucrativa. Um estudo da Nielsen mostra que marcas que investem em ambientes sensoriais imersivos aumentam em até 30% o tempo de permanência nas lojas, e podem elevar o ticket médio em até 20%.

Pamella Gonçalves reforça que o design deve estar a serviço dos objetivos comerciais, mas sem reduzir o projeto a um “ponto de venda genérico”. “A experiência bem projetada é também uma ferramenta de conversão. Um ambiente bonito vende, mas um ambiente inteligente fideliza”.

Tendências: espaços instagramáveis, rotas fluídas e propósito – As duas especialistas apontam três grandes tendências no design de franquias para os próximos anos:
• Espaços instagramáveis com propósito – não basta ser bonito para foto: o ambiente precisa ter conteúdo e identidade real.

• Layout com fluidez de circulação – pensar o percurso do cliente como jornada sensorial que leva à compra.

• Propósito físico visível – a arquitetura deve expressar valores da marca de forma clara: sustentabilidade, inclusão, bem-estar.

A divisão entre experiência imersiva e foco na venda é, na verdade, uma falsa escolha. “A arquitetura de franquias mais eficiente é aquela que une encantamento e estratégia, forma e função, emoção e resultado,” resume Carina Guevara.

Para as marcas que desejam se destacar em meio a tantas opções, o ponto de venda precisa ser mais do que um canal — precisa ser um palco onde a marca vive, encanta e converte.

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