Partidos fantasmas

Heródoto Barbeiro (*)

Os partidos políticos não escapam das críticas da população. São os mesmos de sempre.

Não há base democrática uma vez que não há vida interna consistente e até mesmo os candidatos a prefeito e vereador são frutos de uma escolha de poucos. Uns são ligados aos caciques que dominam a máquina e os cofres partidários.

Outros são desconhecidos, condenados a não se eleger nem para a prefeitura nem às câmaras municipais, uma vez que servem apenas para carrear votos para a legenda e divulgar fatos e biografias dos caciques.

A verdadeira base é oligárquica. A ligação do partido com a população só se dá por ocasião das eleições com a divulgação da propaganda eleitoral. Os partidos estão distantes do eleitorado, não sabem quais são os sonhos e desejos da população que juram defender.

Afinal o país é uma república liberal, federativa, com eleições regulares, posse dos eleitos e os mandatos garantidos. Uma vez no cargo assumem a figura da autoridade e ficam distante dos que dizem representar.

O crescimento da insatisfação popular contra a forma que os partidos governam o Brasil, incentivam as manifestações populares. Não raro há confronto com a polícia e há os que afirmam que o problema social se resolve sob as patas do cavalo. Ou seja uma exaltação à violência policial que deve estar ao lado da ordem e para isso deve usar os instrumentos que julgarem necessários.

Para a oposição sobra a tribuna das assembleias para protestar de longe, sem se envolver diretamente com as manifestações de rua e se arriscar a tomar um cassetete na cabeça. Há uma evidente diversificação estadual e os partidos vivem do regionalismo. Há a predominância local não só na eleição de prefeitos e vereadores.

O localismo é uma fórmula que vem desde os primórdios da república e se consolidou com o passar dos anos. Aparentemente não há como mudar essa correlação de poder e proporcionar uma arejamento nos quadros partidários e a implantação de uma organização democrática interna.

Base partidária é mais uma das quimeras dos que sonham em mudar a forma de se fazer política. Ouvir e dar voz às bases é outra utopia. Ninguém acredita nem confia que os caciques vão abrir mão do controle da máquina uma vez que é através dela que defendem os seus interesses pessoais, de seus patrocinadores, amigos e familiares. E é com o domínio dela também que impedem o surgimento de qualquer facção que venha a ameaçar o poder consolidado.

Os partidos são aparentemente nacionais e uma ou outra sigla defende essa bandeira, mas a maioria, ligada às oligarquias regionais, têm ação estadual. Afinal o Brasil é uma federação e se pressupõe que a autonomia dos estados está garantida na constituição. A velha constituição de 1891, a primeira da república.

O imobilismo e a evidente separação entre as classes sociais detentoras das riquezas nacionais e outros estratos da população enchem de insatisfação os jovens miliares. Movimentos conhecidos como tenentistas espocam na década de 1920. O paradeiro dessa situação se dá com a ascensão de Getúlio Vargas no poder.

Durante esse período os partidos se tornam inúteis até desaparecerem completamente na ditadura do Estado Novo.

(*) – É editor chefe e âncora do Jornal da Record News em multiplataforma (www.herodoto.com.br).

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