
Quando 2025 começou, eu convidei você a olhar para a base do programa. Mapeamos riscos, desafios e atribuições do Compliance, não como uma lista de tarefas, mas como um jeito de medir maturidade, alinhar expectativas e decidir onde colocar energia. Esse ponto de partida pautou todo o restante do ano.
Em seguida, tratei de movimentos externos que mudam regras do jogo. A suspensão do FCPA pela Casa Branca acendeu alertas, e mostrei por que empresas brasileiras e multinacionais deveriam reforçar prevenção e due diligence. Reforcei também que a cultura de integridade vale para todos, dos anônimos às celebridades, quando falei de casos públicos que testaram políticas internas.
Olhei então para o cenário doméstico e discuti o risco de retrocesso na agenda anticorrupção. Ao mesmo tempo, analisei lições do caso PwC-Evergrande, destacando responsabilidade de auditorias e governança em mercados complexos. Minha mensagem foi simples para você levar: transparência é um ativo competitivo.
A tecnologia ocupou grande espaço. Mostrei como a IA pode fortalecer Compliance no Brasil e, ao mesmo tempo, como o uso inadequado de ferramentas nos empurra para dilemas entre o bem e o mal. Falei sobre rupturas no trabalho quando a tecnologia tenta definir quem somos, e sobre apostas online, chamando atenção para conflito de interesses, proteção de dados e comunicação responsável.
Celebramos também marcos da própria coluna, reafirmando que transformar exige constância. Entrei no debate regulatório do PL 4.958/23 e conectei esse avanço com uma visão que nunca abandonei em 2025: valor humano como estratégia e liderança como alicerce. Sem coerência do topo, políticas viram papel.
No bloco de privacidade, aprofundei temas práticos: DPIA como ferramenta de decisão, tipos de dados da LGPD e as armadilhas de grupos corporativos de WhatsApp. Dei critérios para você decidir o que pode, o que não pode e o que precisa de salvaguardas.
Na gestão do dia a dia, tratei da evolução das prioridades do Compliance Officer. Mostrei como a agenda migra do operacional para o estratégico sem perder rastreabilidade. Levei esse raciocínio ao home office ético, traduzindo combinados, monitoramento proporcional e respeito à dignidade do trabalhador.
A transformação do trabalho voltou com força quando abordei IA e demissões. Pedi que você considerasse impacto, transparência de critérios e requalificação, porque decisões automatizadas não podem eliminar humanidade. Falei do episódio do casal no show do Coldplay para lembrar que conduta pessoal de executivos repercute na reputação corporativa e na confiança dos públicos.
Não fugi dos choques entre finanças e criminalidade. Ao discutir a operação que tocou a Faria Lima, mostrei como due diligence e KYC precisam acompanhar a sofisticação do crime para proteger a imagem dos negócios e o sistema financeiro.
Nos últimos capítulos, olhei para fora. Quando tratei de IA e ONU, convidei você a conectar padrões globais com práticas locais, antecipando obrigações que chegam logo. E fechei com o quiet cracking, chamando atenção para vulnerabilidades discretas que se acumulam quando atalhos operacionais corroem controles.
Se teve um fio condutor em 2025, foi este: integridade é escolha diária. Você e eu vimos que leis importam, tecnologias empolgam e crises ensinam, mas é a coerência — do risco ao humano, do dado ao propósito — que sustenta reputação e resultados.
Que 2026 nos encontre firmes nesse compromisso.
– – –
Denise Debiasi é CEO da Bi2 Partners, reconhecida pela expertise e reputação de seus profissionais nas áreas de compliance e inteligência investigativa, finanças corporativas, consultoria regulatória (AML, BSA e LGPD), contabilidade forense, Due Diligence (financeiro, reputacional, investigativo e operacional), investigações corporativas, antilavagem de dinheiro, FCPA e anticorrupção, entre outros serviços de primeira importância em mercados emergentes.



