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Quando o time vira pinball: lidando com profissionais reativos

em A Outra Sala
terça-feira, 19 de agosto de 2025

Ana Luisa Winckler (*)

Tem gente no trabalho que é tipo máquina de pinball: você fala algo, e lá vem a bolinha batendo de volta.
Uma mudança de rota? Plim!
Um feedback? Plim-plim!
Uma crítica construtiva? TILT!

Esse é o profissional reativo: não responde, reage. E reage no piloto automático. É a ciência que explica: quando a gente se sente ameaçado (mesmo que seja só por um “preciso falar com você depois”), a amígdala cerebral assume o volante. Resultado? O cérebro entra no modo “sobrevivência”: briga, foge ou paralisa. Enquanto isso, o córtex pré-frontal, aquele que ajuda a pensar e planejar, fica de férias não remuneradas.

O que isso significa na prática?

  • Chefe anuncia uma meta nova: o reativo já responde “isso não vai dar certo”.
  • Colega dá sugestão: ele rebate antes de ouvir até o final.
  • Feedback: a pessoa se fecha, se defende, muda de assunto.

É o famoso: “mal terminei a frase e já virei vilão da novela das 9h”.

O olhar do líder

Liderar alguém reativo é como tentar conversar com o GPS quando ele está recalculando rota sem parar: irritante, mas você precisa manter a calma.

  • Primeiro passo: não cair no jogo do espelho.
    Se você reage igual, a reunião vira round de UFC corporativo.
  • Segundo passo: usar Comunicação Não Violenta (CNV).
    Exemplo real: Em vez de “você sempre estraga a reunião”, tente “percebi que você levantou a voz quando falamos da meta, fiquei com a sensação de frustração, podemos pensar juntos em como organizar isso sem perder o clima?”.

Tradução: menos acusação, mais tradução de sentimentos e pedidos claros.

O olhar do liderado

Ser reativo não é crime, é humano. Mas no trabalho tem custo: você vira “a pessoa difícil”. E isso mina reputação, relacionamentos e até saúde.
A ciência mostra: viver sempre nesse modo alerta bagunça o cortisol, atrapalha sono, memória e até aumenta risco de burnout.

Então, se você percebe que anda reagindo por tudo, aqui vai um truque:

  • Antes de responder, beba um gole d’água.
  • Ou dê uma risada interna estilo meme do “cachorro respirando fundo”.
  • Ganhe tempo para o seu pré-frontal voltar à cena.

Dicas práticas (sem frescura)

  1. Neutralize o incêndio
    O reativo fala alto? Você responde baixo. É como colocar ventilador na fumaça: aos poucos o ar volta.
  2. Confronte o padrão, não a pessoa
    Em vez de “você é negativo”, diga: “percebi que toda vez que mudamos a prioridade você traz resistência. O que acontece com você nesse momento?”.
  3. Crie micro-pausas
    Se a reunião tá fervendo, proponha 30 segundos de silêncio. Parece TEDx de mindfulness, mas dá tempo do cérebro sair do modo “onça no mato” para o modo “resolver problemas”.
  4. Conexão antes da correção
    Ninguém baixa a guarda sendo atacado. Primeiro mostre que entendeu a dor, depois sugira o caminho.
  5. Use humor como antídoto
    Às vezes vale um: “Calma, não é guerra na Ucrânia, é só a planilha de vendas”. Humor quebra a reatividade sem humilhar.

Conclusão (com meme mental)

Profissional reativo é como aquele botão de caps lock ligado o tempo todo: tudo parece maior, mais urgente, mais dramático.
Liderar esse perfil é criar um ambiente onde a pessoa possa responder em vez de reagir.
Porque, no fim, ninguém aguenta trabalhar num fliperama humano.

Ou como diria aquele meme clássico:

Respira, mana. Não é o RH que vai te mandar embora, é só mais uma daily.

(*) Psicóloga, escritora e rebelde afetuosa do mundo corporativo — onde transforma silêncio em escuta e vulnerabilidade em potência. Com 25 anos de RH na bagagem, ela cria espaços onde até a meta sorri e o KPI pede um café.

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