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Meio CEO já basta: a revolução dos fractional twins

em A Outra Sala
terça-feira, 29 de julho de 2025

Ana Winckler (*)

Quem disse que para ter um CEO (Chief Executive Officer) você precisa carregar também a cadeira de couro, o estacionamento reservado e o crachá dourado?

Na era do fractional twinning, você pode ter meio CEO, um quarto de CFO (Chief Financial Officer) ou um pedacinho de CMO (Chief Marketing Officer). Líderes de alto calibre que chegam como vinho em taça avulsa: você não precisa comprar a garrafa inteira para sentir o sabor.

“Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar.” – Clarice Lispector

Tem empresa que ainda trata liderança como casamento na igreja: contrato vitalício, mesa fixa e promessas de “na saúde e na doença”. Mas o mundo já foi para outro lugar. Agora vivemos o tempo dos fractional twins:  executivos seniores que você chama por demanda, como gêmeos fracionários que aparecem quando o jogo precisa de uma jogada estratégica.

Funciona assim: em vez de contratar um CFO (Chief Financial Officer) em tempo integral para pesar no caixa, a startup traz um CFO por temporada que organiza sua captação, estrutura governança e depois some feito Mary Poppins quando o vento muda. Quer acelerar processos? Chama um COO (Chief Operating Officer) fracionário. Precisa destravar marketing? Vem um CMO (Chief Marketing Officer) de plantão. É como pedir delivery de liderança: chega quente, resolve sua fome e não sobra louça para lavar.

E não pense que isso é um luxo das big corps (grandes corporações). Pelo contrário. Quem mais surfa essa onda no Brasil são startups e empresas menores, que não podem bancar crachás premium, mas podem pagar por inteligência sênior na medida exata que precisam. Já temos plataformas como a Shiny em São Paulo fazendo esse match: COOs fracionários conectados a empresas que precisam escalar rápido sem explodir o orçamento.

Do ponto de vista da neurociência, o modelo tem tudo a ver. Nosso cérebro é plástico: quanto mais contextos, mais conexões. O mesmo vale para esses líderes que atuam em várias organizações: trazem repertórios diversos, enxergam padrões que um executivo “fixo” muitas vezes não percebe. É a plasticidade cognitiva virando plasticidade organizacional.

E o legado? Para empresas, significa acesso a liderança de ponta sem travar folha de pagamento. Para os executivos, autonomia para escolher projetos e deixar marcas em vários lugares. Para o futuro da liderança, um modelo mais leve, modular e inteligente.

No fim das contas, fractional leadership é um lembrete quase terapêutico: nem todo compromisso precisa ser para sempre, nem todo vínculo precisa ser inteiro para ser transformador. E aí fica a provocação: será que sua empresa precisa mesmo de um executivo em tempo integral, ou de uma fração dele no momento certo? Você teria coragem de contratar meio CEO e confiar que meio já basta para transformar tudo? E se o futuro da liderança não estiver no “para sempre”, mas no “pelo tempo que fizer sentido”?

Não é freelas, não é consultoria. É liderança sênior por demanda: CFO (Chief Financial Officer), COO (Chief Operating Officer), CMO (Chief Marketing Officer). Os fractional twins já estão no Brasil e podem ser a virada que sua empresa precisava – seja gigante ou pequena.

(*) Psicóloga, escritora e rebelde afetuosa do mundo corporativo — onde transforma silêncio em escuta e vulnerabilidade em potência. Com 25 anos de RH na bagagem, ela cria espaços onde até a meta sorri e o KPI pede um café.