683 views 3 mins

A inteligência artificial não vai destruir empregos. Vai revelar o quanto deles nunca foram inteligentes.

em A Outra Sala
terça-feira, 01 de julho de 2025

Ana Luisa Winckler (*)

O que chamamos de “trabalho do futuro” já começou a expor verdades que muita empresa preferia manter sob o tapete:

  • Pessoas gastando tempo demais com tarefas que já poderiam ser automatizadas.
  • Lideranças tomadas por medo de perder controle — e não por desejo real de evoluir.
  • Culturas que falam em inovação nos slogans, mas funcionam à base de hierarquia, ego e repetição.

Segundo a McKinsey (2023), 60% dos CEOs afirmam que dados de pessoas são estratégicos.
Mas só 9% usam isso de forma relevante.

O resto? Está decorando o discurso da “transformação digital” enquanto mantém decisões analógicas.

Mais de 50% dos profissionais de RH ainda passam a maior parte do tempo em operação básica.
56% das funções administrativas podem ser automatizadas com tecnologia já disponível.
Empresas que implementaram IA com estratégia relataram aumento de até 30% em retenção e performance.
(Fontes: Deel, SHRM, BCG, 2024)

Mas aqui vai o ponto cego:

Não falta tecnologia.
Falta intenção.

Falta se perguntar:
— O que estamos criando com tudo isso?
— A IA está a serviço de quê?
— Queremos eficiência… ou relevância?

Porque IA não resolve cultura tóxica.
Não cria pertencimento.
Não sustenta propósito onde não existe.
Não treina líderes que escutam, nem inventa valores corporativos de verdade.

Ela acelera. Amplifica. Expõe.

Se a sua empresa está apostando tudo em IA, mas ignora:

  • A ausência de segurança psicológica,
  • A falta de alinhamento real entre propósito e prática,
  • A desigualdade de acesso às decisões,

…então você não está inovando.
Está só automatizando disfunções.

O futuro do trabalho não é uma tecnologia.

É uma escolha.

Entre fazer melhor o que sempre fizemos…
Ou ter coragem de fazer o que ainda não ousamos.

A IA vai redefinir processos.
Mas são as empresas que vão precisar decidir
se querem manter o velho controle ou construir uma nova confiança.

(*) Psicóloga, escritora e rebelde afetuosa do mundo corporativo — onde transforma silêncio em escuta e vulnerabilidade em potência. Com 25 anos de RH na bagagem, ela cria espaços onde até a meta sorri e o KPI pede um café.