
Liderança autêntica nasce do equilíbrio entre propósito, coerência e resultados duradouros
O engajamento global dos colaboradores caiu para 21% em 2024, segundo o relatório State of the Global Workplace da Gallup. A pesquisa também aponta que essa baixa de engajamento gera perdas de produtividade estimadas em US$ 438 bilhões anuais para a economia mundial, conforme análise publicada pela mesma instituição. A tendência é observada no relatório Workforce Hopes and Fears 2024, da PwC, que revela: 45% dos líderes afirmam sentir que “precisam representar um personagem” no ambiente corporativo, um reflexo da crise de identidade que afeta a liderança contemporânea.
Para o mentor e investidor Marcus Varandas, fundador do EquityClub, esse cenário evidencia um desequilíbrio entre performance e propósito dentro das organizações. “Crescer sem perder a autenticidade é o maior desafio de qualquer líder. O mercado cobra resultados, mas são os valores que sustentam o longo prazo. Quando a essência se dilui, o líder perde credibilidade e a cultura se enfraquece”, afirma.
Varandas defende que a formação de líderes sólidos passa por três pilares: autoconhecimento, coerência entre discurso e prática e liderança pelo exemplo. “O líder precisa saber o que o move e onde quer chegar, sem se desconectar daquilo que o torna humano. É essa coerência que gera confiança e atrai pessoas com o mesmo senso de missão”, explica.
Empreendedor desde cedo, ele fundou a startup Menew, posteriormente vendida para a Stone, e hoje atua à frente do Grupo MVX e da Hofa Capital. Nas mentorias que conduz, enfatiza que essência e resultado não se contrapõem, mas se complementam. “A performance nasce da verdade. Um time liderado por alguém coerente entrega mais porque confia. A autenticidade é o ativo invisível que diferencia quem lidera por poder de quem lidera por propósito”.
Varandas reforça que a liderança autêntica começa quando o indivíduo deixa de buscar aprovação e passa a agir com coerência entre convicção e comportamento. “O maior erro de um gestor é tentar caber em expectativas que não são suas. Liderar é um exercício diário de integridade. É escolher o que é certo, mesmo quando ninguém está olhando”.
Para ele, o conceito de essência está diretamente ligado à autorresponsabilidade emocional, a capacidade de sustentar coerência diante do caos. “Autenticidade não é ausência de erro, mas presença de verdade. Quando o líder reconhece vulnerabilidades, ele cria espaço para que o time também seja honesto e criativo. É assim que nascem culturas de confiança”.
O mentor explica ainda que a busca por autenticidade não é apenas um tema filosófico, mas um ativo econômico. “Empresas lideradas por pessoas coerentes atraem melhores talentos e investidores. A cultura é o novo patrimônio. E a cultura só existe quando há coerência entre o que o líder diz e o que ele faz”, conclui.
Cinco dicas do especialista para liderar com autenticidade:
- Reforce o autoconhecimento: Entenda o que o motiva e quais valores norteiam suas decisões antes de tentar inspirar os outros.
- Mantenha coerência: A liderança é testada quando há pressão. Agir em alinhamento com o discurso reforça credibilidade e confiança.
- Valorize o exemplo: Pessoas seguem atitudes, não cargos. Ser referência prática é mais potente do que qualquer discurso.
- Conecte propósito e resultado: A essência não é contrária à performance; é o que dá sentido ao crescimento e ao lucro sustentável.
- Invista em cultura de verdade: Negócios duradouros nascem de líderes que constroem pertencimento, não de quem impõe autoridade.

