O que esperar da economia para o segundo semestre?

Jaime Vasconcellos (*)

A falta de previsibilidade torna o cenário inadequado para novos investimentos e uma real recuperação da economia do País.

Seria muito provável, se fossemos responder à pergunta do título deste artigo em abril ou no início de maio, apresentar uma perspectiva bastante positiva, principalmente ao se levar em consideração a maioria dos indicadores macroeconômicos disponíveis para esse período.

Porém, ao abordar tal questão, depois da crise política e de governabilidade do Presidente Michel Temer, bem como após a repercussão em todas as estâncias da delação do grupo JBS, o que se vê é uma das realidades mais deteriorantes para qualquer economia de mercado, a incerteza. Claramente, o rumo econômico brasileiro para 2017 era de crescimento. Tímido, mas pelo menos um avanço, que serviria como alento diante do recuo de 7,2% do PIB nacional no acumulado dos dois últimos anos.

Em suma, inflação prevista bem abaixo da meta estipulada pelo Governo, taxa básica de juros caindo substancialmente reunião após reunião do Copom, confiança dos agentes claramente mais elevadas, reformas bem aceitas pelo mercado próximas de aprovação, retorno da geração de empregos com carteira assinada e, por fim, uma projeção do fundo do poço à taxa de desemprego do IBGE.

Vale observar, quantas tendências e realidades garantidoras surgiram nesse princípio de reação econômica brasileira. No entanto, é de conhecimento universal que economia e política são duas áreas praticamente indissociáveis. Os graves problemas de governabilidade, que a atual gestão federal enfrenta após divulgação de transcrições, áudios e declarações de líderes da JBS, muda significativamente as expectativas econômicas. Isso porque dia após dia as expectativas são diferentes.

Quem comandará o País daqui 3 meses? As reformas serão aprovadas? A taxa de câmbio próxima aos 2,30 pode quebrar o ciclo de redução ligeira da inflação? E os impactos nas decisões de redução da taxa SELIC? Sem dúvida, qualquer economista que esteja disposto a cravar algum prognóstico neste momento do Brasil se balizará a partir do inefável – será sorte ou irresponsabilidade.

Em verdade, mesmo que o governo se mantenha, as forças se reagrupem e aos poucos a poeira baixe, aquelas projeções mais positivas irão se esticar. A recuperação será mais lenta. Agora, se houver alteração no poder, pode-se esperar mais limbo à nossa economia.

De uma forma ou de outra, o primeiro semestre terminará com a outra margem do rio mais distante, sendo as famílias, trabalhadores, empresários e investidores brasileiros nadadores cada vez mais cansados.

(*) – Formado em Economia pela UNESP, é sócio da Eagles Consultoria Econômica, assessor econômico do Sincomavi e colaborador do Núcleo de Extensão em Conjuntura e Estudos Econômicos – UNESP/FCLAr.

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