O que ensinamos às crianças e jovens?

Rubens Passos (*)

A recente divulgação do Censo Escolar 2015 pelo Ministério da Educação chocou aqueles que têm consciência sobre a importância do ensino para a justiça social e a ascensão do Brasil ao patamar de economia de renda alta.

Descobrimos, com tristeza, que três milhões de crianças entre quatro e 17 anos não estão estudando. Protestar contra esse dado, que evidencia a omissão governamental ante uma alta prioridade, não basta. É preciso questionar, também, o que se está ensinando aos três milhões matriculados nas creches, 4,92 milhões na pré-escola, cerca de 23 milhões no Ensino Fundamental e 8,1 milhões no Médio. A matrícula e frequência são decisivas, obviamente, mas a qualidade do ensino é crucial, e o País também está em dívida nesse quesito.

Somamos, portanto, uma quantidade ainda grande de crianças e jovens fora da escola e uma deficiência grave no aprendizado. Nem mesmo no campo dos exemplos, que também educam, temos sido eficazes. O que os diretores e professores de numerosas escolas nas quais atrasam a entrega de uniformes e materiais escolares dizem às crianças para justificar o injustificável?

Constrangidos, pois não têm culpa e também são vítimas da negligência estatal, inclusive nos seus salários, os membros do Magistério talvez não consigam explicar que muitos desses atrasos devem-se a concorrências fraudulentas e/ou à não aceitação de soluções modernas. Dentre estas, o Cartão Material Escolar, que permite a cada estudante comprar os itens nas papelarias de suas cidades, sem licitações, sem risco de fraudes e exercendo o direito cidadão da escolha.

Às crianças e jovens à espera de uniformes, mochilas, cadernos, lápis, régua, compasso e borracha épreciso dar uma satisfação real e concreta. Com certeza, algo para ser apreciado na disciplina de história. Afinal, a falta de seus materiais escolares está diretamente ligada ao que os brasileiros assistem em Curitiba e Brasília. Sim, às vezes o exemplo deseduca. Porém, quando isso ocorre no tocante à gestão pública, é preciso que a sociedade fique mais alerta e vigilante quanto ao cenário político e ao exercício sagrado do voto.

Assim, é imprescindível que nossos estudantes tenham plena consciência de que somente a democracia nos redimirá!

(*) – Economista pela FAAP e MBA pela Duke University, é presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE) e diretor titular do CIESP Bauru.

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