Noticiário negativo, estresse e produtividade

Kie Kume (*)

A leitura diária de jornais, blogs e portais de maior confiabilidade escancaram realidades que, de um jeito ou de outro, nos afetam profundamente e influem na produtividade de nosso trabalho.

Não se trata de menosprezar a informação interessante, necessária e enriquecedora, mas de não gastar energia com a leitura de uma quantidade imensa de textos negativos. De fato, não é fácil acompanhar, com um grau mínimo de discernimento, o noticiário sobre política, economia, segurança, saúde, educação, trânsito, sobre o abastecimento de água ou sobre os incontáveis casos de violência.

A predominância do noticiário negativo nos lança para uma realidade que parece “roubar” a coragem de remar rio acima. Além disso, ficamos boa parte do dia conectados, ‘perambulando’ nas redes sociais. Isso faz com que tenhamos pouco tempo para buscar o verdadeiro conhecimento e para digerir a infinidade de informações que recebemos.

Vivemos um período de instabilidade e turbulência. E o estresse diante do pessimismo geral é inevitável, especialmente quando as consequências da falta de perspectivas invadem nossos lares. Se você lê e acompanha a realidade do país, é natural que seja mais afetado pelo desemprego inesperado de um filho, de um cônjuge, ou de um vizinho que já não consegue pagar seu aluguel ou o financiamento da casa própria. Ainda mais quando o noticiário indica que a crise se prolongará até 2017, 2018.

Todos temos o direito de ficar desiludidos e irritados com a realidade que nos cerca, especialmente quando sabemos que estamos pagando as dívidas de atos de incúria ou má-fé. Mas o problema se agrava quando perdemos a capacidade de reação diante dos erros e deixamos que o pessimismo nos torne improdutivos. Malfeitos e crises sempre existiram na história de nosso país e, mais ainda, do mundo, isso sem mencionar as guerras, os extermínios e as epidemias. Como o pêndulo do velho relógio de parede, o ser humano avança e recua. Períodos de turbulência se alternam com períodos de bonança. No entanto, como diz o ditado, não há desgraça que dure para sempre.

O importante, diante da onda de pessimismo, é não nos limitarmos a buscar “conhecimento” apenas nos jornais, rádios e TV – ou nas toneladas de informações, a maioria supérfluas, que nos chegam por diversas fontes, como internet e celular. Um bom livro ajuda a manter o equilíbrio diante do bombardeio de notícias negativas, nos faz ver a realidade com outros olhos e nos torna mais produtivos.

É óbvio que não devemos menosprezar os jornais, as rádios, as TVs, que são extremamente importantes na sua missão de informar. Mas essa informação não pode nos estressar. O mestre japonês Ryuho Okawa, fundador do movimento religioso “Happy Science”, alerta que a leitura cuidadosa de um jornal equivale à leitura de dois livros de bolso. “A leitura equivalente a dois livros pela manhã faz o cérebro se cansar muito.

Portanto, se fizer uma leitura completa do jornal com o mesmo nível de atenção, acabará consumindo boa parte da capacidade energética de um dia de trabalho. Para evitar que isso aconteça, concentre-se nas seções que contêm as informações necessárias” (Do livro “As Leis da Sabedoria” – Editora IRH Press do Brasil). O mesmo, diz ele, vale em relação às revistas.

Uma mudança em nossos hábitos de leitura e de acesso às redes sociais pode significar menos cansaço mental e estresse e mais capacidade de desenvolver um senso crítico e encontrar a verdade.

(*) – É gerente geral da IRH Press do Brasil, editora dedicada à publicação em português dos livros do mestre Ryuho Okawa (www.irhpress.com.br).

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