137 views 6 mins

Mulheres na Liderança

em Artigos
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Danielle Francis (*)

Nos bastidores da revolução tecnológica que estamos vivenciando, um grupo tem se destacado por seu impacto inovador: as mulheres. Em um setor tradicionalmente dominado por homens, elas estão conquistando espaço na inteligência artificial (IA), assumindo papéis de liderança e impulsionando avanços tecnológicos mais inclusivos e éticos. Apesar dos desafios, sua presença não só transforma o mercado, mas também redefine o futuro da inovação.

Embora ainda sub-representadas, as mulheres têm ampliado sua participação na liderança em IA. De acordo com o World Economic Forum, apenas 22% dos profissionais de IA são mulheres. No entanto, essa realidade está mudando rapidamente. Um estudo da McKinsey mostrou que empresas com maior diversidade de gênero em posições de liderança são 25% mais propensas a superar a média de desempenho financeiro.

Esse impacto se reflete diretamente na forma como a tecnologia é desenvolvida. As mulheres estão à frente de pesquisas sobre viés algorítmico, lutando por modelos mais justos e transparentes. Timnit Gebru, uma das maiores especialistas no tema, denunciou os riscos da IA generativa e influenciou mudanças em gigantes como Google e Microsoft. Fei-Fei Li, cofundadora do Stanford Human-Centered AI Institute, é uma das vozes mais influentes na defesa de uma IA mais humanizada. Já Joy Buolamwini, fundadora da Algorithmic Justice League, desafia a discriminação algorítmica e promove maior responsabilidade no setor.

A presença feminina na tecnologia não cresce apenas em áreas técnicas, mas também em cargos estratégicos. De 2015 a 2023, houve um aumento de 40% na presença feminina no C-Level tecnológico (KPMG). CEO, CTO, CIO – cada vez mais, mulheres ocupam esses espaços e trazem consigo uma nova visão de gestão e inovação.

Um estudo da Accenture revelou que empresas que promovem políticas de igualdade de gênero têm 30% mais chances de alcançar altos níveis de inovação e crescimento sustentável. Isso reforça que a diversidade não é apenas uma questão de equidade, mas um diferencial estratégico essencial. Empresas lideradas por mulheres tendem a ser mais inovadoras, colaborativas e alinhadas às demandas sociais e éticas da atualidade.

Quando uma mulher assume a liderança em tecnologia, ela não apenas transforma a empresa – ela inspira uma nova geração. Cada conquista feminina em IA abre portas para outras mulheres que, por muito tempo, foram desencorajadas a seguir carreiras em ciência e tecnologia. A presença de líderes femininas envia uma mensagem poderosa: Você pertence a esse espaço.

Histórias como a de Reshma Saujani, fundadora do Girls Who Code, mostram como a representatividade pode mudar o mundo. Seu trabalho ajudou a empoderar milhares de meninas a entrar no campo da programação e da IA, desafiando estereótipos e criando um impacto de longo prazo.

A liderança feminina na IA e nos negócios não é apenas uma questão de equidade – é uma necessidade estratégica para um futuro mais inovador e ético. Em um mundo cada vez mais moldado por algoritmos e dados, garantir que mulheres tenham voz na criação, regulação e aplicação dessas tecnologias não é um luxo, mas uma responsabilidade coletiva.

O futuro da inteligência artificial e dos negócios será construído por aquelas que ousam desafiar o status quo. As mulheres não são apenas participantes dessa revolução – elas são o motor invisível que impulsiona a tecnologia e a inovação para um novo patamar.

Mas será que estamos avançando rápido o suficiente? Embora haja progresso, ainda há muito a ser feito. A luta por equidade na lA não pode depender apenas das mulheres que já chegaram ao topo. É responsabilidade de toda a sociedade garantir que o futuro da tecnologia não seja moldado apenas por um grupo seleto, mas sim pela diversidade de experiências e perspectivas.

A inteligência artificial já está decidindo quem recebe crédito bancário, quem tem acesso a oportunidades de trabalho e até mesmo quais informações consumimos diariamente. Se essas decisões forem tomadas sem a diversidade de pensamento, como podemos esperar que sejam justas?

A liderança feminina na lA e nos negócios não é apenas uma questão de equidade – é uma necessidade estratégica para um futuro mais inovador e ético. Garantir que mulheres tenham voz na criação, regulação e aplicação dessas tecnologias não é um luxo, mas um compromisso com a construção de um mundo mais justo e inteligente. A revolução tecnológica está em curso, e as mulheres não estão apenas participando – elas estão liderando. O desafio agora é garantir que esse movimento não seja apenas uma tendência passageira, mas sim uma transformação permanente na forma como inovamos, criamos e tomamos decisões que impactam o mundo inteiro.

(*) COO da Fintalk.