Raphael Ruffato (*)
Muito se fala sobre a transição energética e o avanço das fontes limpas no Brasil. E é verdade: somos uma das matrizes mais renováveis do mundo. Fontes de energia renováveis, como hidrelétricas, eólicas, solares e biomassa, representam 83% da matriz elétrica brasileira segundo o Plano Decenal de Energia. Mas a pergunta que fica é: por que o acesso a essa energia limpa ainda é restrito a poucos?
O consumidor brasileiro, especialmente o de baixa tensão, como residências e pequenos negócios, continua refém de um modelo em que não há liberdade de escolha, nem incentivo ao consumo consciente e sustentável. A energia limpa, que deveria ser o padrão, muitas vezes se apresenta como uma opção de nicho, cara ou inacessível. E isso precisa mudar.
O Open Energy, conceito que promete dar ao consumidor maior controle sobre sua conta de luz, poderia ser um caminho para mudar esse cenário. No entanto, até agora, ninguém trouxe uma solução prática para torná-lo acessível à população em geral. A maioria das pessoas sequer compreende os detalhes da sua fatura, o que as impede de tomar decisões informadas sobre o consumo.
O setor de energia precisa mudar sua abordagem de comunicação com o consumidor. O cliente deve estar em primeiro lugar, e a mudança desse modelo não acontecerá sozinha. As empresas precisam agir como catalisadoras dessa transformação, educando o público e oferecendo soluções acessíveis e eficazes, incluindo o uso de fontes renováveis como parte central da experiência energética, e não como um produto premium ou distante da realidade da maioria.
Sustentabilidade não deveria ser luxo
É preciso romper com o paradigma de que a sustentabilidade é um luxo. O Brasil tem condições técnicas, climáticas e econômicas para fazer da energia limpa uma realidade acessível, mas isso exige um novo olhar sobre o papel do consumidor. Hoje, ele é tratado como um pagador passivo. Para acelerar a transição energética, é fundamental colocá-lo no centro da equação como alguém que decide, investe e consome com consciência.
O aumento do consumo de fontes renováveis não virá das grandes concessionárias ou do governo, mas de novas iniciativas, como a de startups, que coloquem o consumidor no centro da discussão. Mais do que pagar menos pela energia, a população precisa entender pelo o que está pagando e ter o direito de escolher a melhor opção para suas necessidades.
E aqui está o ponto central: energia limpa sem acesso é só discurso. Não basta investir em fontes renováveis e celebrar índices técnicos. É preciso garantir que todos, independentemente da renda ou localização, tenham o direito de consumir energia limpa, de forma consciente, transparente e justa.
(*) Fundador e CEO da Lead Energy.
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