Diante da crise, empresas já devem pensar 2016

Benjamin Yung (*)

Analistas de mercado cravam sequência da crise econômica no Brasil em 2016.

A projeção para o próximo ano é de contração econômica de 0,40%. Caso se concretize, será a primeira vez desde 1930 que o país enfrenta dois anos seguidos de recessão. O cenário é preocupante, o que torna fundamental que as empresas organizem financeiramente o próximo ano desde já.

Para reequilibrar as contas face a queda de receita e de margem, o empresariado deve ter como estratégia imediata a renegociação de prazos bem como das dívidas junto à credores e principais fornecedores. Esse cuidado permite desafogar minimamente o caixa da empresa, já vislumbrando 2016.

O controle do fluxo de caixa, aliás, deve ser total e rigoroso, com previsão de, pelo menos, seis meses. Ou seja, o primeiro trimestre do ano que está por vir precisa ser planejado ainda no decorrer de setembro. Para isso, é preciso que o empresário conheça detalhadamente seus custos e despesas atuais e provisione ao máximo, diante da previsão de mais um ano economicamente difícil.

As despesas e custos devem ser revistas por completo, de modo que o empreendedor identifique onde pode cortar, sem que o serviço ou produto entregue ao cliente tenha a qualidade afetada. Tal cuidado é muito importante, porque de nada adianta cortar gastos que interfiram qualitativamente, o que resulta em insatisfação e perda de clientes, patrimônio valioso e escasso em tempos de recessão.

No rol de redução de despesas, há que se avaliar opções como a venda de ativos (desmobilização), mudança de planta, principalmente em casos onde há ociosidade, o enxugamento do quadro de funcionários e até mesmo o desinvestimento, ou seja, a venda de unidades ou linhas de produto. Nesse sentido, é comum que empresas atuantes em mais de um setor priorizem apenas o que garante melhores resultados, negociando ativos dos demais ramos de atuação.

Tomadas desde já, essas medidas farão grande diferença na difícil tarefa de seguir empreendendo em 2016. Ainda que as projeções econômicas se confirmem negativas, tais ações garantirão sobrevida à empresa. E, mais do que isso, com otimismo, também, prosperidade.

(*) – É especialista no segmento de reestruturação financeira e fundador da consultoria Estratégias Empresariais ([email protected]).

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