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Cuidar da saúde animal é chave para agronegócio mais eficiente e responsável

em Artigos
terça-feira, 19 de agosto de 2025

Luiz Monteiro (*)

A saúde animal ocupa um papel importante no desenvolvimento do agronegócio e da economia brasileira.

Muito além do cuidado com os rebanhos, ela é essencial para assegurar produtividade no campo, segurança alimentar, sustentabilidade ambiental e competitividade nos mercados internacionais. Dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) reforçam essa relevância. Em 2024, 47% do faturamento do setor de saúde animal esteve diretamente ligado à pecuária, demonstrando que o investimento em prevenção e bem-estar é parte essencial da engrenagem produtiva que move o campo brasileiro. Cuidar da saúde dos rebanhos significa tornar os sistemas de produção mais eficientes, garantir alimentos de maior qualidade e atender aos rigorosos padrões sanitários exigidos pelos mercados globais.

O Brasil se destaca como um dos maiores produtores e exportadores mundiais de carne bovina, suína e de frango. Esse protagonismo só é possível acompanhado de uma sólida estrutura sanitária, que exige investimentos contínuos em prevenção de doenças, vacinação, monitoramento e inovação em produtos veterinários. Produtos veterinários como antiparasitários, antimicrobianos, biológicos e suplementos desempenham papel essencial na manutenção da saúde dos rebanhos, influenciando diretamente o desempenho zootécnico dos animais e a competitividade da produção. Ao mesmo tempo, garantem a rastreabilidade e a segurança dos alimentos de origem animal que chegam à mesa do consumidor.

Mas é na conexão entre saúde animal e sustentabilidade que o tema ganha dimensão global. Animais saudáveis produzem mais com menos recursos, o que significa menor uso de insumos, menor emissão de gases de efeito estufa por quilo de carne ou litro de leite produzido, além de evitar a ampliação de áreas de pastagem. Isso torna a atividade mais eficiente e ambientalmente responsável, contribuindo diretamente para a preservação dos biomas e para o cumprimento das metas climáticas. A pauta ganha ainda mais relevância com a proximidade da COP 30, que será sediada em Belém neste ano. A conferência colocará o país no centro do debate climático global, e a saúde animal surge como uma das engrenagens essenciais dessa transição para uma economia de baixo carbono.

Relatórios da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) já destacaram que a melhoria da saúde dos rebanhos pode reduzir emissões em até 35% até 2050, ao mesmo tempo em que colabora com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos pela ONU em 2015, como a erradicação da fome e a promoção da segurança alimentar. Estudos recentes indicam que a redução de doenças no gado poderia significar uma diminuição de 800 milhões de toneladas de CO2, equivalente às emissões anuais de mais de 100 milhões de pessoas. Em suínos, por exemplo, o controle da síndrome reprodutiva e respiratória pode reduzir emissões em até 22,5%, segundo estudo publicado na revista One Health Outlook.

No entanto, ainda existem barreiras importantes para ampliar o acesso às tecnologias de saúde animal, especialmente em países em desenvolvimento. Entre os obstáculos estão o baixo volume de financiamento climático destinado à pecuária, a falta de incentivos de mercado do governo e a limitação de políticas públicas que reconheçam plenamente o papel estratégico da saúde animal nas estratégias de redução dos impactos ambientais e das emissões relacionadas à atividade pecuária.

Discutir a saúde animal, portanto, é discutir o presente e o futuro da produção de alimentos. Trata-se de uma agenda transversal que envolve produtores, indústrias, profissionais de saúde, órgãos reguladores e a sociedade como um todo. A manutenção de rebanhos saudáveis garante não apenas a rentabilidade no campo, mas também a confiança do consumidor, o acesso a mercados internacionais e a capacidade do país de se posicionar como líder global em produção sustentável. Em um mundo cada vez mais preocupado com os impactos ambientais e sociais da cadeia alimentar, o fortalecimento da saúde animal se mostra como um vetor indispensável para o desenvolvimento equilibrado da agropecuária e da economia brasileira.

(*) Diretor técnico do Sindan.

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