Como escolher uma linha de crédito para enfrentar o cenário de crise

Felipe Avelar (*)

Não há dúvida que 2020 foi um período difícil para a maior parte dos empreendedores, por conta do cenário de pandemia e pela crise econômica que o Covid-19 gerou.

Para continuar remando em meio à crise, obter crédito é essencial. Porém, isso ainda é um grande desafio para pequenas e médias empresas. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Sebrae-RJ com 473 pequenas empresas, mais de 60% das solicitações de financiamento feitas pelas empresas do estado simplesmente foram negadas. Em 2020 as linhas oferecidas pelo governo foram insuficientes e o dinheiro não chegou a quem mais precisa: os pequenos empreendedores, que respondem por 99% dos negócios no Brasil, diga-se de passagem.

Felizmente, há outras alternativas de financiamento disponíveis no mercado e conhecê-las pode ser essencial para a sobrevivência de um negócio, na hora do aperto. Mas antes de recorrer a essa fonte de crédito é preciso avaliar onde estão as dificuldades e planejar o negócio, para que a receita seja maior que os gastos. Caso contrário, a conta não fecha e não haverá financiamento que dê jeito nesse tipo de empresa.

Feita essa lição de casa, é hora de checar as opções de financiamento que se encaixam à sua realidade. Se a ideia ainda é investir no curto prazo, o crédito para capital de giro é uma boa saída. Ele é voltado para pagar despesas rotineiras da empresa, como salários e fornecedores. Para conseguir o capital não é preciso justificar a finalidade do crédito. Outra vantagem é a opção de pagamento, que pode ser bimestral, semestral ou integral quando o contrato terminar.

Mas vale o alerta para as taxas aplicadas. De acordo com o Banco Central, no final de fevereiro, a taxa do capital de giro aumentou 5,4 pontos percentuais e chegou a 16,5% a.a. A justificativa é a redução das concessões nesta modalidade de crédito, que fez aumentar a taxa de juros.
Para os pequenos empreendedores, uma opção é microcrédito, que tem como alvo os MEIs (microempreendedores individuais), pessoa jurídica que não tem acesso a valores de crédito exorbitantes.

Para se ter uma ideia, a concessão foi a única que apresentou aumento em 2020, e chegou a 16,5%, contra 10% do capital de giro. Este modelo libera até R$ 20 mil ao solicitante com juros de até 4% a.m, de acordo com o BNDES, isenção de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e simplicidade na aprovação.

Há, também, o crédito sem garantia para quem não quer oferecer bens como abonação. Desta forma, com uma operação simples é possível garantir e ampliar o capital de giro para novos investimentos. As parcelas são negociáveis e o dinheiro fica disponível assim que a negociação é aprovada. Ou seja, não é necessário oferecer um imóvel, carro ou qualquer outro bem como lastro na tratativa.

A desvantagem é que os juros são maiores e, a longo prazo, o valor do empréstimo fica mais alto, cerca de 2%. E por falar em longo prazo, há o crédito para investimento e financiamento de imóveis que, ao contrário do exemplo anterior, precisa de uma garantia ou valor de entrada. A diferença é que ele ampara o negociante em gastos mais significativos e que podem servir para aumentar os negócios.

Para este ponto, a liquidez é baixa, o que faz com que o empreendedor deva planejar com antecedência a escolha por esta opção. A taxa de juros varia de acordo com o valor do imóvel. Uma outra forma de obter capital de giro com rapidez é a antecipação de recebíveis. Ela adianta o recebimento das vendas a prazo feitas com cartões de crédito, cheques ou outra forma de pagamento. A modalidade é simples, rápida e o valor é depositado na conta corrente da empresa.

O adiantamento de recebíveis garante o fluxo de caixa mensal do negócio, mas requer alguns cuidados. Antes de tudo, o titular do CNPJ deve pesquisar as taxas cobradas, que variam no mercado financeiro entre 0,5% e 2 ao mês. E para a comparação de financiamentos, há a opção de utilizar um markeplace de crédito, que permite negociar com vários financiadores ao mesmo tempo, por meio da internet.

Cabe avaliar e escolher a linha de financiamento que faz mais sentido, de acordo com o momento atual de seu negócio. E planejar-se financeiramente é fundamental nesta tomada de decisão. Em um cenário adverso como o atual, conhecer as melhores opções disponíveis de crédito no mercado é extremamente importante para fazer a escolha certa e manter a empresa de portas abertas.

(*) – É fundador e CEO da startup Finplace (www.finplace.com.br), fintech que conecta de forma gratuita empresas que precisam de crédito com instituições financeiras.

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