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A tripla hélice da Sustentabilidade e da Inovação

em Artigos
terça-feira, 10 de outubro de 2023

Empresas, Academia e Governo devem trabalhar juntos para a agenda ESG & I

Alaercio Nicoletti (*)

Mostra-se fundamental a integração entre os membros da tripla hélice da Sustentabilidade & Inovação, sejam os mundos empresarial, acadêmico e governamental, para orientarmos um novo momento para o país. Cabe às empresas gerarem iniciativas que promovam a sustentabilidade dos negócios, com propósitos genuínos no âmbito socioambiental e de governança, sem esquecer nesse último tópico a manutenção da rentabilidade organizacional, à academia proporcionar mão-de-obra e estudos que gerem avanço científico e tecnológico, e ao setor público o apoio, o incentivo e o fomento aos projetos genuínos e que contribuam efetivamente para a sociedade e para o planeta.

Como exemplo, o projeto Circularidade do Vidro, que envolve investimentos na ordem dos R$ 5 milhões, só se mostrou possível e viável com o acionamento da indústria, o Grupo Petrópolis que levou a ideia de eliminar embalagens de vidro em lixões ou aterros sanitários; de instituições profissionais / acadêmicas como o SENAI e a Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e instituições públicas como o EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), que participam com o fomento.

Outra iniciativa que vale destacar é o desafio recém-lançado em outubro para gestão dos resíduos no Vale do Ribeira, que conta com a maior extensão nacional de Mata Atlântica e tem vários desafios para viabilizar ações socioambientais envolvendo as prefeituras da região, instituições que atuam em sustentabilidade como o Mãozinha Verde, que organizou a iniciativa, instituições como a Fundação do SOS Mata Atlântica e empresas da região.

Nesse sentido de fortalecimento da integração da tripla hélice, a Engenharia de Produção do Mackenzie está organizando o primeiro encontro de lideranças ESG, sigla que em português significa Ambiental, Social e Governança, justamente com o intuito de integrar as instituições para a discussão de uma agenda comum, tendo como objetivo o ganha-ganha para as instituições e, sobretudo, para a sociedade e o planeta. O encontro será no dia 19 de outubro, no período da noite, e contará com lideranças empresariais, de instituições como a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), além de representante da Secretaria de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo, representando o setor público.

Em resumo, existem incentivos e fomentos governamentais disponíveis, como a Lei do Bem, que podem ser usados na agenda ESG & I (Sustentabilidade e Inovação), além de outras formas como a cooperação técnica e financeira ligada a ICTs (Institutos de Ciência e Tecnologia), como são qualificadas muitas unidades do SENAI, ou mesmo o EMBRAPII supracitado. No que tange às Universidades, também há movimentos e ações como o da Escola Politécnica da USP para a produção de hidrogênio a partir de etanol, ou do próprio Mackenzie no projeto do Vale do Ribeira. Em relação às iniciativas corporativas, as empresas têm realizado diversas iniciativas, sejam internamente em cada organização, ou com outras empresas e instituições. Vale citar as Missões do SENAI com as indústrias e dos Movimentos da Ambição 2030 do Pacto Global, normalmente em conjunto com outras organizações, instituições e suporte das iniciativas governamentais.

Sustentabilidade e inovação caminham juntas, visto que há necessidade de soluções além das melhorias em processos e produtos, que sempre são bem-vindas. A tripla hélice vem para fortalecer essa prerrogativa, sendo que a parceria empresas, academia e governo pode viabilizar e agilizar a agenda do ESG, assegurando os pilares social, ambiental e de governança e, proporcionando, adicionalmente, a viabilidade econômica para a perenidade das instituições privadas.

(*) É Professor da Escola de Engenharia (EE) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).