A pandemia acelerou a criação de lojas autônomas

Christian Rempel e Davi Aquino (*)

Desde o dia 26 de fevereiro, quando foi oficialmente detectado o primeiro caso de covid-19 no Brasil, muita coisa mudou.

Passamos a seguir medidas de distanciamento social, tivemos que adotar o uso da máscara ao sair de casa, lavar mais vezes as mãos, utilizar álcool em gel, além de mudar vários de nossos hábitos, inclusive de compras. Para evitar o contágio e não colocar em risco as pessoas mais próximas, passamos a comprar mais pela internet.

As compras feitas de forma on-line cresceram 82% entre fevereiro e maio em relação ao mesmo período de 2019, segundo pesquisa do Compre&Confie.

Sabemos que podemos adquirir qualquer tipo de produto sem sair da frente do computador, com apenas poucos cliques. O principal inconveniente, nesse caso, é que precisamos aguardar a chegada da mercadoria. Outra forma de fazer as compras que precisamos sem medo de sermos infectados pelo vírus, mas sem precisar aguardar a chegada do produto, é a ida a uma loja autônoma, tendência do varejo que tem ganhado força em tempos de pandemia.

Mas, afinal, o que é e como funciona esse modelo de negócio?

Em lojas autônomas os clientes simplesmente entram, escolhem o que querem e vão embora. Uma notificação no celular informa o valor da compra que virá na fatura do cartão de crédito. Falando assim parece coisa de ficção científica, mas se você acha que essa novidade vai demorar a acontecer, saiba que várias iniciativas nesse sentido já estão sendo postas em prática no mundo inteiro, inclusive aqui no Brasil.

Quem largou na frente foi a Amazon, gigante do comércio eletrônico mundial. Intitulada de “Amazon Go”, sua primeira unidade foi inaugurada em Janeiro de 2018 em Seattle, nos Estados Unidos. No Brasil, as Lojas Americanas lideram o mercado de lojas autônomas, onde, basta o cliente se identificar por um app de celular na entrada, retirar os produtos desejados das prateleiras e sair.

Vários sensores (câmeras 3D, balanças) e algoritmos de processamento avançados identificam os produtos, os associam ao cliente e o total da compra é debitado do cartão de crédito cadastrado no app. Esse novo modelo talvez seja o maior marco na evolução das lojas físicas desde a informatização dos caixas com a implementação do leitor de código de barras.

Além de simplificar a gestão do negócio para o varejista, pelas métricas de estoque em tempo real, redução de perdas e sem a necessidade de criação de escalas para o caixa, por exemplo, as lojas autônomas ainda oferecem ao consumidor uma experiência de compra mais fluida e sem atrito (sem filas e sem checkout).

Nos últimos meses a procura por esse tipo de tecnologia tem aumentado muito e a Logicalis, em parceria com a Microsoft, tem trabalhado para auxiliar os varejistas em diversas etapas que envolvem a abertura de lojas autônomas: definição de estratégia (tamanho de loja, mix de produtos, P&L), implementação e sustentação tecnológica da operação.

O consumidor sempre busca simplicidade e agilidade, o que se intensificou com a alteração dos hábitos de consumo causada pela pandemia. A tecnologia que pode atender este desejo agora está acessível ao varejista e muitos já a estão buscando, tendo sido dado, assim, o tiro de largada – alerta esse que algumas empresas ainda não ouviram.

De qualquer maneira, acreditamos que em breve teremos muitas unidades de lojas autônomas espalhadas por todo o Brasil. É uma questão de tempo, muito pouco tempo.

(*) – São consultores de Inovação para o Varejo da Logicalis (https://www.la.logicalis.com/pt-latam/).

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