A economia capitalista

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Vivemos num mundo acelerado e ansioso que impulsiona o cérebro para pensar sem parar.

Como o Brasil poderá se integrar na economia globalizada sem se tornar dependente da extração de matérias primas e commodities, com poucos empregos e baixo valor agregado? Como essa integração poderia ser feita sem desequilibrar ainda mais o país? A expressão economia capitalista evoca um sentimento de perda e dificuldades. Após as guerras do século 20, surgiram promessas de melhora geral das condições de vida que não podem mais ser mantidas devido à crise econômica mesclada com corrupção, tirania e concentração da renda.

Nos anos 1960, uma parte da juventude descontente, inspirada por Castro e Guevara, queria implantar a igualdade com bombas. A mídia televisiva exerceu forte influência sobre as novas gerações disseminando maus costumes e uma visão falsa da vida. Em São Paulo, uma recente festa de rua conhecida como “pancadão”, realizada na comunidade Paraisópolis, teve desfecho trágico. Como essas festas funcionam, o que elas trazem de benéfico ao lazer e a cultura para milhares de jovens? Há bebidas e drogas?

É lamentável que os jovens não se utilizem de opções de lazer construtivo, como a leitura de bons livros, o que contribui para melhorar a escrita e o raciocínio, além de jogos aritméticos, atividades esportivas, ginástica, enfim, o aprendizado geral, o bom preparo para a vida e o idealismo que visa o aprimoramento. Há tantas coisas nobres, basta querer, mas a indolência espiritual tomou conta do mundo.

O século 21 apresenta as incoerências da civilização materialista que forjou a economia da cobiça, do acúmulo e controle do dinheiro, que se sobrepõe às ideologias de direita e esquerda, colocando o dinheiro acima de tudo o mais, provocando aumento da miséria e precarização geral. Havia nítida separação entre os sistemas econômicos e suas teorias que agora se assemelham visando o mesmo fim: acumulação de dinheiro. São diferentes apenas no comandado, se por gestão empresarial privada ou centralizada no poder estatal.

Vivemos num mundo acelerado e ansioso que impulsiona o cérebro para pensar sem parar, retirando a serenidade e a paciência. As pessoas querem tudo resolvido na hora sem observar a naturalidade. É preciso conservar puro o foco dos pensamentos. Os seres humanos viventes na Terra são dotados de espírito, corpo e a mente, onde se desenvolve a atividade cerebral de pensar e raciocinar.

O cérebro absorve as informações que recebe, cria conceitos guardando-os na memória, surge uma personalidade que em geral não se esforça por ouvir o próprio espírito que se torna um estranho naquele corpo dominado pelo cérebro. No cenário angustiante, a vida se torna áspera e entediante porque o espírito está travado, não atua porque o cérebro tomou conta de tudo; mas o cérebro não dispõe da energia espiritual que deve chegar através da intuição.

Para que haja paz e progresso, o espírito tem que se movimentar, beneficiar e enobrecer. O espírito renasce várias vezes, pois a vida é um processo contínuo. A mente tem que ouvir, se aquietar e colaborar. Envolvida pela escuridão trevosa, a humanidade enfrenta as consequências de seus atos. A miséria é opressora. Caótica é a situação geral e incontrolável a agressiva selvageria urbana. As massas estão descontentes diante das crescentes dificuldades e da enxurrada de informações contraditórias.

Os salários tendem para o mínimo nesta fase em que se busca a mão de obra de menor custo. Uma boa saída seriam os programas de participação nos resultados. O perigo é se deixar influenciar pelos oportunistas mal-intencionados que querem implantar o caos para que a humanidade se perca sem um olhar sincero de gratidão, para o Alto, pelo dom da vida.

Estamos no mês de dezembro. Excelente oportunidade para refletir sobre as palavras do Mestre Jesus: “Bem-aventurados os que têm de suportar sofrimentos, pois serão consolados! Não vos lamenteis quando a dor cair sobre vós. Suportai-a e sede fortes. Bem-aventurados aqueles que aceitam com simplicidade o que é verdadeiro, pois deles é o reino dos céus.” (do livro Jesus o Amor de Deus).

(*) – Graduado pela FEA/USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, realiza palestras sobre qualidade de vida. Coordena os sites (www.library.com.br) e (www.vidaeaprendizado.com.br). E-mail: [email protected]; Twitter: @bidutra7.

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