Vacinação na piscicultura promove melhoria na rentabilidade e na segurança alimentar

De acordo com a Hipra Aqua, a vacinação dos animais quase dobra a sobrevivência dos peixes, um dos principais gargalos da atividade

A piscicultura tem ganhado espaço, profissionalização e rentabilidade no Brasil. Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), hoje a atividade envolve mais de um milhão de produtores no país, gera cerca de um milhão de empregos diretos e outros dois milhões indiretos e, em 2021, a atividade movimentou R$ 8 bilhões. Ainda segundo a entidade, a tilápia é a espécie mais produzida no país: em 2021, a produção chegou a 534.005 toneladas, o que representou um aumento de 9,8% em relação ao ano anterior, colocando a tilápia como responsável por 63,5% da produção nacional de peixes de cultivo.

Diante desse cenário promissor, o desenvolvimento de novas tecnologias que auxiliem o produtor a melhorar a produtividade, reduzir custos de produção e aumentar a rentabilidade, aliados às práticas sustentáveis, é essencial para que o Brasil possa acompanhar a profissionalização que a piscicultura já conquistou em várias partes do mundo.

É com este intuito que a Hipra Aqua atua junto ao produtor. A empresa com 19 anos de mercado e pioneira global na prevenção e criação da imunidade na aquicultura, com a vacinação por imersão já consolidada no mercado do Mediterrâneo, que compreende a Turquia, Grécia, Chipre, França, Itália, chega ao Brasil com um pacote completo para vacinação de peixes nas modalidades por imersão e injetável. A gerência global da Hipra Aqua, que atende essas regiões do Mediterrâneo, tem à frente Erik Diaz.

A Hipra desenvolve a vacina autógena por imersão e injeção – uma vacina personalizada, produzida a partir de microorganismos isolados e identificados de uma determinada propriedade onde estejam ocorrendo as enfermidades. “A Hipra realiza um trabalho customizado, já que desenvolve vacinas específicas para cada necessidade do produtor”, explica o gerente da Hipra Aqua para a América Latina, João Moutinho.

Isso permite um controle adequado de doenças, redução do uso de antibióticos, peixes mais fortes, além do aumento da sobrevida dos animais e redução do custo de produção, já que há necessidade de menor quantidade de ração para desenvolver os animais, assim como o aumento do valor agregado e bem-estar dos animais.

O investimento em pesquisa e novas tecnologias é um dos diferenciais da Hipra. “Temos um banco de dados com todas as espécies de bactérias catalogadas no mundo, o que permite realizarmos esse trabalho customizado para atender às necessidades específicas de cada produtor”.

E as expectativas são otimistas em relação ao Brasil. “Nossa estimativa é vacinar neste ano cerca de 200 milhões de peixes, dos cerca de 400 a 500 milhões que são produzidos anualmente no Brasil. Este é o começo de um grande trabalho que vamos ofertar ao país. Além de peixes, a empresa atua no Brasil nos segmentos de bovinos, suínos e aves”.

E completa: “O país, juntamente com a Espanha, são os únicos que possuem fábrica de produção de vacinas e o laboratório de diagnóstico em peixes para atender a demanda do Brasil e do mundo. Estamos preparados para auxiliar o mercado, clientes e produtores para acessos e conexões comerciais entre países das Américas e Emirados Árabes”, completa João.

Exportações – Garantir a melhor qualidade dos animais, inclusive com redução de antibióticos, o que promove a segurança alimentar e maior valor agregado, são diferenciais que auxiliam que a piscicultura brasileira a ultrapassar fronteiras. Dados da PeixeBR apontam que as exportações brasileiras na atividade totalizaram U$S 20,7 milhões em 2021, um aumento de 78% quando comparado a 2020. A tilápia é a espécie mais exportada, com US$ 18,2 milhões em 2021, o que representa 88% do total. Entre as categorias exportadas, os peixes inteiros congelados apresentaram os maiores volumes, com alta de 390% no comparativo com 2020. Os filés frescos ou refrigerados foram a segunda categoria mais exportada, aumento de 3%. E os filés congelados aumentaram 573% nas exportações.

E dentre os mercados consumidores em potencial para compra do pecado brasileiro estão os países árabes e muçulmanos. Porém, para acessar esses mercados, além da qualidade dos animais e segurança alimentar, o que é potencializado com a imunização dos peixes, esses produtores devem obter a certificação halal para atestar que o produto está apto para consumo da população de religião islâmica.

“O Brasil tem potencial e oportunidade para abastecer o mercado muçulmano, que está ávido por nossos peixes, como a Jordânia, por exemplo, que demonstrou interesse por todas as espécies de peixes brasileiros. E este é um mercado gigantesco: são mais de 200 milhões de pessoas que residem nos 22 países que compõem a Liga Árabe. Temos quem quer vender e aqueles que querem comprar, então temos um enorme potencial e a certificação halal é o caminho para quem deseja ingressar neste mercado”, explica diretor de Operações da CDIAL Halal, Ahmad Saifi.

CDIAL Halal – É a certificadora da América Latina acreditada pelos principais órgãos oficiais dos Emirados Árabes (EIAC) e do Golfo (GAC), o que confere seriedade e competência nos segmentos que atua. Também é a primeira da América Latina a conquistar a categoria “N” para cosméticos e fármacos. Esta certificação é aceita em todo o mundo, inclusive nos países de maior população muçulmana como Malásia, Indonésia, Singapura e Golfo Pérsico (ou Golfo Árabe).

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