Agrotools identifica empresas que operam no ponto-cego da floresta para doação de tecnologia

Sérgio Rocha (*)

Dizem que os grandes negócios surgem a partir das necessidades que o empreendedor sente na prática. Nessa linha, a Agrotools nasceu, em 2006, um pouco pela carência de dados sobre o agronegócio, mas também graças à minha visão do que era possível ser feito para melhorar aquela realidade. Hoje, provando que a fórmula deu certo, estou à frente de um time com mais de 100 pessoas e juntos transformamos a Agrotools na maior corporate agtech do mundo, focada no desenvolvimento de soluções de tecnologia para ambos os lados da porteira, conectando territórios e negócios.

Em dezembro, a Agrotools participou da 1ª Conferência Itaú Amazônia, evento online beneficente, que reuniu especialistas e personalidades para debater os desafios – e as soluções possíveis – para o incremento sustentável da agropecuária da região amazônica. Entre os convidados, a modelo Gisele Bündchen e, por incrível que pareça, a Agrotools e esta ilustre convidada têm muito em comum: além de uma história longa com os temas ESG, somos brasileiros, com “tecnologia” 100% nacional e aptos a brilhar nas passarelas internacionais.

Assim como a supermodelo, a Agrotools conquistou o reconhecimento dos mercados nacional e internacional porque soube fazer a diferença. Nossa empresa nasceu em 2006 e foi pioneira no fornecimento de soluções digitais, que trazem dados relevantes para quem atua na cadeia do agronegócio: são ferramentas que entregam informações para afastar riscos de estabelecer negócios ou parcerias com produtores que façam mal uso do território, como ações de desmatamento, por exemplo.

Durante o evento, a Agrotools anunciou sua contribuição para o segmento: a doação de soluções digitais para munir de informações estratégicas frigoríficos, cerealistas, cooperativas e demais empresas de menor porte, que atuam na Amazônia, e assim oferecer condições para que operem dentro dos parâmetros do compliance socioambiental. São empresas que hoje se encontram no “ponto-cego” da floresta, sem condições técnicas para seguir as regras socioambientais e serem vistas pelos grandes compradores como parceiras de negócios. Com isso, estamos reforçando o modelo de negócio Agrotools, com propósito e valorizando nosso papel como Empresa B, buscando ajudar aqueles que querem estar no jogo da liga principal, mas que não dispõem de recursos para essa escalada sustentável.

Mas como alcançamos protagonismo e notoriedade quando o assunto é a Amazônia?

Os três primeiros anos de história da Agrotools coincidiram com a popularização do tema ESG (Environmental, social and corporate governance) nos principais fóruns e corporações do agronegócio. E assim foram surgindo as múltiplas demandas de monitoramento geoespacial de fazendas, muitas delas na Amazônia.

Estamos falando de um tempo de ferramentas escassas: não existiam mapas digitais e nem o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Mas a Agrotools já tinha desenvolvido a GeoID, uma identidade geográfica digital, que servia totalmente às necessidades de localização e monitoramento dos ‘alvos’ de interesse em meio à floresta.

Além do modelo de cadastro GeoID, já éramos colecionadores dedicados de dados do agronegócio, sempre com a finalidade de ampliar o conhecimento sobre os territórios, reduzindo a distorção e melhorando a percepção de riscos das “corporações urbanas” em relação ao “meio rural”. Hoje, as ferramentas desenvolvidas pela Agrotools – em evolução contínua – são utilizadas por centenas de atores do agronegócio: varejistas, frigoríficos, tradings, usinas, agroindústrias, seguradoras, cooperativas, produtores, associações, órgãos do Governo e instituições do meio acadêmico, entre outros. Um completo ecossistema de corporações que interagem direta e indiretamente com o campo, diariamente, em processos de compra, venda e financiamento do produtor rural.

Os projetos e clientes deste universo atendidos pela Agrotools, cobrem mais de 60% do abate de carne bovina do país e mais de 50% da produção de grãos na Amazônia. Como exemplos de usuários da nossa solução neste segmento, JBS, ADM, Cargill e Cofco e também as maiores marcas globais, como Nestlé, Carrefour e McDonald’s. Falando sobre o McDonald´s, somos responsáveis pela construção conjunta da Política de Carne Livre de Desmatamento e pelo mapeamento global da soja que abastece indiretamente o grupo.

Em contrapartida, para alcançarmos nosso objetivo de ver todos os envolvidos na cadeia do agronegócio atuando dentro dos parâmetros da sustentabilidade, temos que focar também nos atores de menor porte. Por isso, nos orgulhamos de chegar até o Dona Raimunda, um abatedouro amazonense, que abate menos de 20 animais por dia. E não só os produtores de carne, mas de múltiplas commodities, como carne, soja, milho, cana, cacau e açaí estão sob nosso radar.

São mais de 200 mil fazendas ou mais de 100 milhões de hectares controlados diariamente, observando critérios socioambientais e também analisando o clima, queimadas, a evolução da biomassa, a produtividade das lavouras, o valor das terras, a regeneração e ou a integridade das florestas.

No mercado financeiro, atendemos Itaú BBA, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, ABC, BBM, Sicredi, Rabobank, BTG, XP, entre outros, somando um volume de crédito associado acima de R﹩ 100 bilhões.

Projetos & iniciativas

Esta representatividade é fruto de iniciativas e projetos de sucesso, em uma diversidade de situações e desafios na Amazônia. Entre eles, podemos citar a solução de monitoramento para a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas) viabilizada entre 2009 e 2010; a plataforma de monitoramento da carne para o Walmart, desde 2012, na qual trabalhamos juntos desde a criação da política de sustentabilidade até o engajamento dos fornecedores e o acompanhamento das fazendas, e destaque para a participação no processo de evolução e automação do geomonitoramento da JBS – que se tornou o maior case do mundo no setor.

Também atuamos na harmonização dos Protocolos de Sustentabilidade dos três maiores frigoríficos e dos três principais supermercados do país, além de estarmos presentes, com a tecnologia Safe, garantindo a procedência de matéria-prima para outras dezenas de frigoríficos em toda a Amazônia. A solução Agrotools Safe foi desenvolvida com base em dados territoriais para mapear o DNA de determinada área rural, buscando identificar inconformidades, como campos desmatados, terras indígenas e áreas embargadas.

Ainda sobre nosso know-how amazônico, ampliamos a base de conhecimento e observação da agenda ESG na comercialização de grãos na região, participando ativamente dos ajustes e refinamento do Protocolo de Grãos Verdes do Pará. Atualmente, provemos o monitoramento de todas as fazendas produtoras desta região com o CAR, no estado do Pará e para a ABIOVE, ANEC e seus associados, contemplando todas as grandes tradings em operação no Brasil.

Após mais de 10 anos de intensos estudos e projetos na Amazônia, seguimos inovando e antecipando tendências, agora na indústria de etanol de milho, preparando o aparato de Política, Procedimentos e Tecnologia para a FS Bioenergia, englobando a originação de milho e de biomassa, e também para a venda de DDGs (grãos secos) para nutrição animal, com foco na diferenciação dos seus produtos e visando o reconhecimento e benefícios no âmbito dos greenbonds.

Portanto, é do alto dessa posição privilegiada, de quem está verdadeiramente in loco na Amazônia que temos a obrigação de começar a contar a nossa parte da história: a região amazônica mantém quase 80% de cobertura florestal, contando com mais de 10% do território destinado às unidades de conservação. Além disso, o código florestal exige 80% de preservação das fazendas.

Ainda devemos considerar que, há mais de uma década, uma série de programas, acordos e compromissos de proteção da floresta vêm sendo adotados pelos principais players do agronegócio na Amazônia, plenamente atendidos pela tecnologia Agrotools.

É fato que não atingimos – ainda – os resultados ideais: precisamos de uma Amazônia 100% blindada contra exploração indevida do território, mantendo uma produção sustentável. Os índices divulgados internacionalmente sobre este bioma, que mancham a reputação integral do agronegócio brasileiro, existem, mas representam uma pequena parcela da cadeia: estima-se que menos de 10% das fazendas fornecedoras apresentam detecções de não compliance socioambiental e, destas, mais de 50% possuem problemas que podem ser resolvidos de forma ágil para que sejam incluídas no mercado responsável e monitorado.

E é este o foco da Agrotools neste momento. Estamos aptos a arregaçar as mangas e agir. Por mais que os números negativos ainda sejam impactantes quando analisados individualmente, não podemos jogar na vala comum a idoneidade de todo um segmento da economia, tão importante para alavancar o país e alimentar o mundo.

Justamente por sabermos onde estamos pisando quando o assunto é Amazônia e em nome de quem faz a diferença naquele território, decidimos não apenas entrar, mas virar o jogo a favor da floresta e do agronegócio brasileiro: queremos valorizar quem já trabalha dentro dos parâmetros da sustentabilidade. Baseados em fatos – e não em argumentos enviesados – temos tudo para clarear a imagem do agronegócio brasileiro. É com muita satisfação que assumimos nosso papel nessa proposta de agenda positiva e inclusiva para o segmento e, consequentemente, para o país e o planeta!

(*) É fundador e CEO da Agrotools

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