A representatividade das mulheres no Agronegócio

Painel de encontro com representantes do setor promovido pela ABRH-SP mostrou os desafios e os espaços que podem ser ocupados por mulheres que se interessam em atuar no setor

Alguns setores do mercado de trabalho ainda estão se acostumando com o aumento da presença das mulheres e o agronegócio é um deles. Dados apresentados durante o evento Life-Liderança Feminina em Movimento, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos – seccional São Paulo (ABRH-SP) mostram que, apesar do aumento da presença de mulheres no setor, ainda há um longo caminho para percorrer.

A presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) Teresa Vendramini, conhecida como Teka, a primeira mulher a comandar a tradicional sociedade em mais de 100 anos, aponta que dentre os 1.979 sindicatos rurais espalhados pelo Brasil, apenas 89 possuem presidentes mulheres, apesar de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontar que mais de 1 milhão de negócios rurais são geridos por mulheres no país. Em contrapartida, ela aponta que 60% das mulheres no agronegócio possuem curso superior e estão em constante busca por conhecimento e experiências para aprimorarem a gestão.

“Participo de eventos do setor onde estão dezenas de homens e eu. Uma vez postei uma foto de um desses eventos e comentei que estava precisando das companheiras ao meu lado, para aumentar a nossa representatividade. Fiquei emocionada com as mensagens de muitas meninas jovens dizendo: Teka, me aguarde que estou chegando”, comenta a presidente da SRB. Para ela, desbravar esse terreno é fundamental para a equidade de oportunidades entre homens e mulheres no agronegócio.

Quem também está abrindo as portas para outras mulheres conquistarem seu espaço no agro é a gerente de manutenção Ariane Rodrigues. Ela é negra e de origem humilde e passou por muitos percalços para conseguir se formar em engenharia agrícola. Mas quem pensa que as dificuldades dela acabaram quando ela se graduou, se engana. Já como coordenadora de manutenção de máquinas agrícolas de uma empresa do setor, ela teve que ouvir do gestor que ela nunca chegaria ao cargo de gerência daquela área e uma das razões é o fato de ela ser mulher. “Na hora eu engoli o choro e questionei quem era ele para dizer onde eu tinha capacidade de chegar. E hoje estou aqui, em outra grande empresa, no cargo que sempre almejei de gerente de manutenção. Espero que ela veja isso no meu LinkedIn”, brinca.

A engenheira agrônoma Ana Paula Maranhão corrobora com Ariane ao dizer que ninguém pode julgar a competência do outro por estereótipos ou gêneros. Ela se descreve como mulher, tatuada, que não usa bota e chapéu e sertanejo não é seu estilo musical preferido. “Falo isso porque esse é o estereótipo oposto do que as pessoas pensam sobre um profissional do agronegócio. A gente precisa é fugir do padrão mesmo e muito obrigada a todos que fazem isso”, declara. Para ela, não aceitar essa diversidade fará o agronegócio crescer e se modernizar e continuar sendo uma das molas propulsoras do Brasil.

Sobre o Life + CRHO Forum: a ABRH-SP promove um evento que mergulha na análise do papel do indivíduo na transformação social para a liderança feminina, traçando um paralelo com o que é esperado desse crescimento e o que já foi conquistado e absorvido até o hoje: o LIFE – Liderança Feminina em Movimento. O encontro acontece nos dias 10 e 11 de novembro, junto com o CRHO Forum, que é o maior evento da associação, onde grandes pensadores, executivos e personalidades trarão as mais recentes questões sobre ESG, transformação digital humanizada e cultura organizacional, mostrando como tudo isso se relaciona com o RH.

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