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“Delargar” tarefas é um dos sintomas de microgerenciamento nas empresas

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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Jargão empresarial pode prejudicar muitas gestões. Especialista explica o que é e como seguir no caminho certo

Dados da pesquisa “Tendências de RH 2025”, realizada pela Koru e Flash, revelam que 43,9% dos líderes de recursos humanos (RH) identificam problemas no estilo de liderança como fator determinante para a rotatividade de colaboradores. Líderes despreparados desencadeiam um impacto negativo em cascata, que fragiliza a organização, eleva os custos operacionais e resulta na saída de profissionais valiosos.

Um dos problemas dos maus líderes virou até um jargão empresarial, “delargar”, que é o oposto de delegar. “Delegar é transferir uma responsabilidade com clareza, confiança e acompanhamento. Enquanto delargar é simplesmente passar a tarefa para outra pessoa e se afastar dela. Quem delega continua responsável pelo resultado, quem delarga tenta apenas se livrar da atividade”, explica o mentor e consultor empresarial, Rubens Berredo.

Essa prática de não orientar corretamente os colaboradores não prejudica apenas a relação com o gestor, mas pode interferir na empresa como um todo. “Porque gera confusão, retrabalho, erros, desmotivação e dependência. A pessoa recebe uma tarefa, mas não recebe direção ou suporte. No final, o líder acaba tendo que corrigir tudo e a equipe não se desenvolve”, pontua o especialista. “Delegar é desenvolver pessoas e multiplicar resultados. Delargar é transferir problemas e criar outros”, completa.

Qual o caminho certo?
Rubens Berredo, autor do livro Liderança como Estilo de Vida, destaca como um gestor pode perceber se está no caminho certo da gestão. “Ele deve se perguntar: ‘Eu dei clareza, recursos e autonomia para a pessoa realizar? Estou acompanhando sem fazer por ela?’. Se a equipe sabe o que fazer, por que fazer, até quando e qual resultado se espera, o líder está no caminho certo”, afirma.

Para aqueles que estão no caminho errado da gestão, o especialista orienta. “Primeiro, precisa entender que liderar não é fazer tudo, nem simplesmente passar tudo para os outros. É fazer as pessoas crescerem enquanto os resultados acontecem. Para isso, deve-se aprender a delegar com clareza, combinar expectativas, dar autonomia, acompanhar o progresso, oferecer feedback e acompanhar o resultado”, salienta.

Já o oposto a isso é o microgerenciamento, que é o excesso de controle do líder sobre o trabalho da equipe, interferindo em detalhes que poderiam ser conduzidos pelos próprios colaboradores. “Entre os malefícios estão reduzir a autonomia das pessoas, desestimular a iniciativa e a criatividade, aumentar a dependência do líder para decisões simples e retardar processos e decisões, porque tudo precisa passar pelo líder”, elenca o especialista, que completa dizendo que este tipo de gestão gera insegurança e frustração na equipe, sobrecarrega o líder, que tenta controlar tudo, diminui o engajamento e o senso de responsabilidade, além de dificultar o desenvolvimento de novos líderes.

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