
A União Europeia suspendeu as importações de diversos produtos de origem animal brasileiros, incluindo carne bovina, aves, ovos, mel, embutidos e peixes, sob a justificativa de que o Brasil não forneceu garantias suficientes de rastreabilidade e certificação quanto ao uso de antimicrobianos na pecuária, dentro da iniciativa “One Health” do bloco, vigente para produtores europeus desde 2022.
Segundo Guilherme França, responsável pela unidade europeia da Intrust Associates, empresa especializada em internacionalização de negócios, o episódio vai muito além de uma questão econômica ou diplomática. Embora o mercado europeu represente cerca de US$ 1,8 bilhão em exportações e o risco reputacional junto a consumidores globais seja um impacto relevante no curto prazo, a principal questão está na possibilidade de a medida influenciar a percepção sobre a segurança e a qualidade dos produtos brasileiros para além dos aspectos técnicos e regulatórios. A leitura mais importante, segundo ele, é estrutural: trata-se de uma mudança de preferência do consumidor, não de um imbróglio burocrático, e essa tendência, já visível na valorização da origem nacional dos produtos, como na França, deve se espalhar a outros mercados à medida que os consumidores evoluem suas exigências, partindo da Europa como referência em menor intervenção na produção agroalimentar. Para Guilherme, esse movimento representa também uma oportunidade, que, se levada a sério, pode abrir espaço competitivo mais favorável para os produtos brasileiros no futuro.
Quatro países retiram embargo à carne brasileira após China | Jornal Empresas & Negócios



