
Higor Rocha (*)
Características como otimização de custos, adaptação às mudanças e às novas exigências do mercado pressionam o desenvolvimento de estratégias de inovação nas empresas para que se mantenham competitivas. Neste processo, a mensuração da inovação em projetos financiados por políticas públicas é uma prática tão importante quanto o investimento para esse propósito em si.
No entanto, a realidade é de que muitas empresas ainda encontram dificuldades para compreender quais são os retornos gerados por seus investimentos em PD&I. Na estruturação do projeto, é importante considerar a avaliação de indicadores econômicos (tangíveis e intangíveis), tecnológicos, operacionais, ambientais e organizacionais.
A inovação nas empresas gera ganhos financeiros variados, como o desenvolvimento de novos produtos e serviços, aumento de receitas, ampliação da participação de mercado, redução de custos operacionais e desperdícios, aumento de produtividade, melhora na qualidade, otimização de processos e mitigação de riscos. Em complemento, existem benefícios indiretos, como a fidelização de clientes e aumento da capacidade competitiva. Nesse contexto, destacam-se como indicadores econômicos o crescimento de receita, ROI e geração de novos mercados.
Sob a ótica tecnológica, avaliam-se fatores como evolução da maturidade tecnológica, geração de propriedade intelectual, produtividade, aumento da qualidade e da eficiência dos processos. Por fim, inovação nas empresas também é avaliada por impactos ambientais e sociais, especialmente em setores que acompanham a agenda ESG.
Desafios para dimensionar os benefícios
Em muitos casos, há a expectativa de resultados imediatos com a conclusão do projeto, quando, na prática, diversos benefícios são percebidos apenas ao longo dos anos. Outro desafio está relacionado à dificuldade de isolar o efeito da inovação dos demais fatores que influenciam o desempenho, como oscilações de mercado, estratégias comerciais e elementos externos.
Além disso, frequentemente, ações de PD&I são executadas por áreas técnicas, enquanto os indicadores são acompanhados por outras áreas, gerando desconexão entre o desenvolvimento e a mensuração. Para minimizar estes obstáculos, é preciso definir indicadores antes do início do projeto, segmentá-los em categorias e adotar avaliações regulares no processo. Os indicadores utilizados, no entanto, não competem entre si, pois uma inovação pode reduzir custos, diminuir impactos ambientais e aumentar a produtividade simultaneamente.
Instrumentos de incentivo à inovação, como a Lei do Bem, são importantes pelo benefício financeiro e por estimular as organizações a estruturarem seus processos, criando uma cultura de acompanhamento, governança e geração contínua de valor.
As políticas públicas, inclusive, podem ser combinadas. Um mesmo projeto pode ser elegível para a obtenção de um financiamento, ter seus gastos incentivados pela Lei do Bem e ainda ser Ativado no Intangível, por exemplo. Assim, uma companhia consegue reduzir os riscos associados ao investimento e maximizar os resultados desde o início do projeto.
Quando projetos de P&DI passam a ser mensurados e tratados como ativos estratégicos, as empresas conseguem estabelecer prioridades, acompanhar resultados, direcionar investimentos e construir um portfólio equilibrado. Logo, medir os resultados possibilita o aprendizado contínuo sobre os processos de inovação, a redução de incertezas futuras e a melhora na qualidade das decisões relacionadas à alocação de recursos.
(*) Gerente de Negócios do FI Group, consultoria especializada na gestão de incentivos fiscais e financiamento à Pesquisa & Desenvolvimento (P&D).
A tecnologia como propulsora da gestão de inovação das empresas | Jornal Empresas & Negócios


