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Como medir o impacto da inovação nas empresas em 2026

em Destaques
quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Higor Rocha (*)

Características como otimização de custos, adaptação às mudanças e às novas exigências do mercado pressionam o desenvolvimento de estratégias de inovação nas empresas para que se mantenham competitivas. Neste processo, a mensuração da inovação em projetos financiados por políticas públicas é uma prática tão importante quanto o investimento para esse propósito em si.

No entanto, a realidade é de que muitas empresas ainda encontram dificuldades para compreender quais são os retornos gerados por seus investimentos em PD&I. Na estruturação do projeto, é importante considerar a avaliação de indicadores econômicos (tangíveis e intangíveis), tecnológicos, operacionais, ambientais e organizacionais.

A inovação nas empresas gera ganhos financeiros variados, como o desenvolvimento de novos produtos e serviços, aumento de receitas, ampliação da participação de mercado, redução de custos operacionais e desperdícios, aumento de produtividade, melhora na qualidade, otimização de processos e mitigação de riscos. Em complemento, existem benefícios indiretos, como a fidelização de clientes e aumento da capacidade competitiva. Nesse contexto, destacam-se como indicadores econômicos o crescimento de receita, ROI e geração de novos mercados.

Sob a ótica tecnológica, avaliam-se fatores como evolução da maturidade tecnológica, geração de propriedade intelectual, produtividade, aumento da qualidade e da eficiência dos processos. Por fim, inovação nas empresas também é avaliada por impactos ambientais e sociais, especialmente em setores que acompanham a agenda ESG.

Desafios para dimensionar os benefícios

Em muitos casos, há a expectativa de resultados imediatos com a conclusão do projeto, quando, na prática, diversos benefícios são percebidos apenas ao longo dos anos. Outro desafio está relacionado à dificuldade de isolar o efeito da inovação dos demais fatores que influenciam o desempenho, como oscilações de mercado, estratégias comerciais e elementos externos.

Além disso, frequentemente, ações de PD&I são executadas por áreas técnicas, enquanto os indicadores são acompanhados por outras áreas, gerando desconexão entre o desenvolvimento e a mensuração. Para minimizar estes obstáculos, é preciso definir indicadores antes do início do projeto, segmentá-los em categorias e adotar avaliações regulares no processo. Os indicadores utilizados, no entanto, não competem entre si, pois uma inovação pode reduzir custos, diminuir impactos ambientais e aumentar a produtividade simultaneamente.

Instrumentos de incentivo à inovação, como a Lei do Bem, são importantes pelo benefício financeiro e por estimular as organizações a estruturarem seus processos, criando uma cultura de acompanhamento, governança e geração contínua de valor.

As políticas públicas, inclusive, podem ser combinadas. Um mesmo projeto pode ser elegível para a obtenção de um financiamento, ter seus gastos incentivados pela Lei do Bem e ainda ser Ativado no Intangível, por exemplo. Assim, uma companhia consegue reduzir os riscos associados ao investimento e maximizar os resultados desde o início do projeto.

Quando projetos de P&DI passam a ser mensurados e tratados como ativos estratégicos, as empresas conseguem estabelecer prioridades, acompanhar resultados, direcionar investimentos e construir um portfólio equilibrado. Logo, medir os resultados possibilita o aprendizado contínuo sobre os processos de inovação, a redução de incertezas futuras e a melhora na qualidade das decisões relacionadas à alocação de recursos.

(*) Gerente de Negócios do FI Group, consultoria especializada na gestão de incentivos fiscais e financiamento à Pesquisa & Desenvolvimento (P&D).

A tecnologia como propulsora da gestão de inovação das empresas | Jornal Empresas & Negócios