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Modelos abertos de IA da China desafiam gigantes do Vale do Silício

em Tecnologia
sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Segundo informações da Reuters, modelos de inteligência artificial abertos desenvolvidos na China vêm conquistando espaços antes ocupados por empresas do Vale do Silício.

Vivaldo José Breternitz (*)

Esses modelos, mais baratos, altamente personalizáveis e capazes de gerar código quase tão bem quanto os melhores sistemas das Big Tehs, estão levando estas a tentar reagir aos ataques de rivais que se tornou impossível ignorar.

A Meta anunciou nesta semana que voltará a lançar modelos abertos, incluindo uma versão de seu sistema mais avançado. Já a Nvidia, gigante dos chips e uma das principais fornecedoras de modelos abertos nos Estados Unidos, lançou um sistema menor e trabalha em outro de maior porte para competir com os líderes do setor, segundo o respeitado portal The Information.

Esses movimentos refletem o reconhecimento crescente entre executivos de tecnologia de que os modelos de código aberto terão papel cada vez mais relevante na democratização da IA. A tendência ganha força à medida que empresas passam da fase de gastos pesados com o uso intensivo de inteligência artificial, prática conhecida como “tokenmaxxing”, para uma etapa de maior controle e busca por eficiência.

O avanço dos modelos chineses, especialmente de empresas como Moonshot e Z.ai, representa uma ameaça concreta para a OpenAI e a Anthropic, ambas em preparação para abrir capital. As duas empresas precisam convencer os investidores de que sua vantagem tecnológica justifica seus custos elevados de desenvolvimento e operação.

“Para muitas tarefas operacionais básicas, não é necessário usar o modelo mais avançado. A questão passa a ser o retorno sobre o investimento”, afirmou Marc Bhargava, investidor anjo e diretor da General Catalyst, fundo de capital de risco que investe na Anthropic.

Bhargava pondera, no entanto, que ainda existem barreiras: adaptar modelos abertos para alcançar o desempenho dos sistemas mais sofisticados pode ser difícil e caro, especialmente para empresas que dispõem de equipes pequenas. Para tarefas mais complexas, como programação, ele acredita que os modelos da OpenAI e da Anthropic continuarão mantendo vantagem.

As novidades são diárias; os que trabalham nessa área dificilmente morrerão de tédio…

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].