
No primeiro semestre de 2026, as vendas de CDs nos Estados Unidos cresceram 16%, alcançando 16,3 milhões de unidades.
Vivaldo José Breternitz (*)
O crescimento foi impulsionado principalmente por consumidores mais jovens, mas há um dado curioso: segundo a Luminate, a principal empresa global de análise de dados de entretenimento, cerca de metade dos compradores pertencentes às gerações Z e Millennials, não possuem aparelhos para reproduzir CDs.
Vale lembrar que a expressão “Millennials (ou Geração Y), refere-se a pessoas que nasceram entre o início dos anos 1980 e meados dos anos 1990. Já “Geração Z” refere-se às pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2010; é a geração que cresceu já imersa em tecnologia digital, redes sociais e smartphones, e que hoje corresponde a adolescentes e jovens adultos.
Acredita-se que esse crescimento se deve à mudança da percepção sobre os CDs, que deixaram de ser vistos apenas como mídia e passaram a ser considerados itens colecionáveis a preços acessíveis. Em um mundo cada vez mais digital, os bens físicos tornam-se raros, e mídias como CDs e discos de vinil carregam o charme de uma era passada; para os jovens, possuir um objeto tangível significa poder apreciá-lo e mostrar aos amigos a qualquer momento, sem depender de conexão à internet.
Os números também mostram o tipo de música consumida por essas pessoas; a Luminate diz que 60% dos jovens entre 13 e 24 anos ouvem faixas dos anos 1990 ou anteriores, um salto expressivo em relação a 2021, quando apenas 18% afirmavam ouvir músicas antigas. Cerca de 55% admitiram que a nostalgia influencia diretamente suas compras de CDs.
O debate sobre o futuro da mídia ganhou força recentemente, após a Sony anunciar que deixará de produzir jogos físicos para PlayStation a partir de 2028, alegando a predominância do digital. A decisão causou controvérsia e levantou questionamentos sobre se o mercado não estaria subestimando o valor cultural e afetivo dos formatos físicos.
Embora o digital ofereça conveniência e vantagens inegáveis, os dados mostram que parte dos consumidores ainda não está disposta a se despedir da experiência de ver, ouvir, colecionar e preservar a mídia física.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



