
A energia solar deverá se tornar a maior fonte de eletricidade do mundo na próxima década, superando carvão, petróleo e gás natural, segundo relatório da BloombergNEF, a divisão de pesquisa estratégica da Bloomberg dedicada a energia, transporte, indústria e finanças, com foco na transição energética e em tecnologias emergentes.
Vivaldo José Breternitz (*)
O relatório afirma aponta que a transição ocorrerá principalmente por razões econômicas: a solar é hoje a opção mais barata. Além disso, há insegurança acerca do fornecimento de petróleo e gás, causada por conflitos como os que ora acontecem na Ucrânia e no Irã.
Essa insegurança tem levado países a investirem pesado na energia solar, como o Paquistão, que em dois anos adicionou 25 gigawatts à sua capacidade de geração; 25 GW de energia elétrica correspondem a cerca de 11,6% da matriz elétrica brasileira, o suficiente para abastecer milhões de residências, indústrias e serviços públicos.
Adicionalmente, essa potência instalada de energia solar evita a emissão de mais de 33 milhões de toneladas de CO₂ e garante eletricidade limpa para uma fatia significativa do país.
Os custos da energia solar devem cair mais 30% até 2035, consolidando sua vantagem sobre a gerada por combustíveis fósseis. A produção em massa de painéis, cabos, inversores e baterias para armazenamento são os principais motores dessa redução de custos.
No entanto, a energia necessária aos datacenters voltados à inteligência artificial faz a demanda crescer, o que deve acelerar a busca pela energia solar, com previsão de 1 terawatt adicional até 2050; até lá, petróleo, gás e carvão ainda terão papel relevante, fornecendo mais da metade da energia consumida pelo setor.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
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