Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)
A situação global apresenta forte turbulência. Antigamente se usava a palavra rebuliço, que significa agitação intensa, confusão, tumulto ou desordem, com pessoas alvoroçadas em meio a situações caóticas. Muitas vozes se levantam apontando culpados, algumas com fatos, outras manifestando sua raiva sem apresentar as causas com clareza. Há muita gente torcendo para que a guerra continue e quer ver a derrocada do povo americano, mas a sua continuidade atingirá toda a humanidade.
A tarefa difícil é seguir em frente sem tropeços. A fase é de complexidade e de bombardeio de informações. É fundamental definir os objetivos imediatos e os futuros num ambiente em constante mudança. Sentir a realidade e as tendências. Manter a serenidade, a simplicidade e a clareza no pensar, são armas fundamentais. Tudo tem uma causa. Muitas são as ocorrências pesadas, mas temos de nos isolar, reconhecer o errado, e buscar força, coragem e confiança nas leis universais da Criação.
Na verdade, estamos diante de uma situação que vem se formando há milênios pela displicência dos seres humanos que não quiseram levar em consideração a real finalidade da vida. Nisso, dois fatos se destacam: a prepotência dos homens e a desvalorização dos matrimônios, que trouxeram como consequência a forma errada de preparar os filhos para a vida como seres humanos de qualidade, responsáveis, voltados para o bem geral. O que poderia resultar disso? O relevante seria buscar a causa dessa displicência, mas parece que uma sonolência geral atingiu o ser humano que, entretido pelas ninharias da vida, perdeu a clareza em sua forma de raciocinar.
Às vezes acontece num lar que, por descuido, pais e mães permitem a entrada de uma ovelha negra e terão um pesado fardo para carregar ao longo de sua vida. No entanto, pai e mãe têm de encarar com toda seriedade a geração de filhos para ficarem sintonizados na atração de uma alma de boa índole, auxiliando-a no seu desenvolvimento para que se torne uma personalidade útil e beneficiadora da vida.
Na falta das crianças terem o que pensar e fazer, as telas estão tomando conta, arrastando-as para uma vida sedentária quando deveriam estar brincando junto à natureza. Ninguém mais se preocupa com a finalidade da vida. As crianças crescem sem ter a mínima ideia de porquê nasceram, e ainda culpam os pais por terem nascido.
No pós-guerra, os economistas tomaram a dianteira, mas os germes do desequilíbrio já estavam no solo da economia. As metas da humanidade, que deveriam ser o atendimento das suas necessidades de forma adequada, foi mostrando sua cara com cobiças por prazeres, riqueza e poder, a qualquer custo, mesmo que tivesse de aprisionar pessoas para vendê-las como fator de produção, sem vontade, sem o direito da livre resolução inerente ao ser humano.
As guerras começam de forma rápida. O que era para terminar logo vai se alongando. E os controladores do dólar, que substituiu a libra, dominaram tudo. Num dado momento surgiu uma classe média com acesso a bens, educação e moradia, mas o processo se inverteu e regrediu, assim como as classes C e D que decaíram a níveis precários. Os desequilíbrios foram crescendo. Hoje, uma só nação tem superávit de exportação de mais de um trilhão de dólares, enquanto a maioria das nações têm dívida elevada e não sabe como pagar. Como sair dessa situação e passar para um viver que produza felicidade e o aprimoramento da espécie humana?
Para que haja paz entre os homens de boa vontade é fundamental o reconhecimento da realidade espiritual da vida e, para isso, é preciso sair do marasmo mental e espiritual e agir como verdadeiro ser humano. Oitenta anos depois da grande guerra a humanidade se acha bem próxima do abismo, sente as dores, mas sem se esforçar na busca da Luz, não encontrará a solução.
Somos dotados da capacidade de pensar, raciocinar e refletir intuitivamente, tudo isso para termos consciência própria da vida e sua finalidade. Ao renunciar a essa capacidade e aceitar as verdades impostas pela religião, poder econômico ou pelo Estado, nos tornamos escravos. Não utilizamos os talentos recebidos, e assim perdemos a nossa essência. A humanidade vai regredindo a um bando de acomodados com preguiça de pensar e agir. Somente o saber da Luz da Verdade das leis universais da Criação poderá trazer libertação.
(*) Graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: [email protected]
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