
O avanço da tecnologia no Brasil não tem sido acompanhado pelo desenvolvimento das competências necessárias para lidar com ela. Levantamento recente da 68ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Mercado de Trabalho na Visão da População, divulgada na última sexta-feira, 17, pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), mostra que menos de 45% dos brasileiros possuem nível médio-alto ou alto em habilidades digitais mais complexas, como configuração de programas, uso de planilhas e aplicações de inteligência artificial.
O dado evidencia que, enquanto os recursos digitais se tornam cada vez mais presentes no cotidiano, grande parte da população ainda não possui conhecimento suficiente para entender como essas ferramentas funcionam e utilizá-las de forma estratégica. Embora o levantamento considere a população em geral, o resultado acende um alerta sobre a formação das novas gerações, o que levanta um desafio adicional: como preparar crianças e adolescentes para competências que muitos adultos ainda não dominam.
Esse contexto reforça a necessidade de olhar para os mais jovens que estão sendo preparados para lidar com esse ambiente. A chamada Geração Alpha, formada por nascidos a partir de 2010, cresce inserida no universo digital desde os primeiros anos de vida e aprende de forma diferente das anteriores, com forte exposição a estímulos interativos, conteúdos dinâmicos e experiências imersivas.
Para Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, escola especializada em competências para o futuro, o desafio está em transformar esse contato precoce com a tecnologia em aprendizado estruturado. “Essa turma já cresce inserida no universo digital, mas isso não significa que compreende como ela funciona. Sem direcionamento, continuamos formando usuários, e não pessoas capazes de criar e transformar a tecnologia”, afirma.
Segundo o especialista, a familiaridade com o digital não garante preparo para o futuro. “Embora tenham mais facilidade por estarem em contato constante com essas ferramentas, esses jovens entrarão em um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico, em que o domínio de habilidades digitais complexas será indispensável. É isso que vai definir seu nível de preparo e autonomia diante das transformações”, afirma.
O desenvolvimento de capacidades como lógica, programação e pensamento computacional torna-se essencial para acompanhar as mudanças do mundo atual. “É necessário entender os princípios por trás desses sistemas, para deixar de ser apenas consumidora e passar a ser protagonista. Isso estimula autonomia, senso crítico e potencial de adaptação”, completa.
Para os jovens de hoje, a falta desse preparo não significa apenas ficar para trás, mas perder a capacidade de acompanhar e influenciar as transformações que já estão em curso.
Tecnologias disruptivas – o Metaverso Industrial e o Gêmeo Digital – Jornal Empresas & Negócios


