A Xiaomi parece determinada a provar que não é apenas mais uma fabricante de eletrônicos, mas sim uma protagonista da próxima revolução industrial.
Vivaldo José Breternitz (*)
O anúncio de que seus robôs humanoides, aqueles cuja aparência lembra a de uma pessoa, já estão em operação em suas fábricas de veículos elétricos, não é apenas uma curiosidade tecnológica: é um sinal claro de que a empresa quer ser líder nesse campo.
O que impressiona não é apenas a capacidade dos robôs, transportando caixas pesadas ou colocando porcas de fixação, mas o que isso simboliza: estamos diante de uma mudança de paradigma – tarefas repetitivas e exaustivas, tradicionalmente executadas por trabalhadores humanos, começam a ser transferidas para máquinas que aprendem com os próprios erros e se tornam mais eficientes à medida em que vão trabalhando.
O detalhe mais impressionante é a estratégia de coleta massiva de dados; cada movimento dos humanoides gera informações que alimentam sistemas de controle cada vez mais sofisticados. É um ciclo virtuoso: mais dados, mais aprendizado, mais eficiência – é oportuno lembrar que esse ciclo pode ser aplicado a situações não tão pacíficas, como o uso dos humanoides para fins bélicos, por exemplo.
Há também quem veja em tudo isso uma ameaça ao emprego, o que é verdade, pois a substituição de humanos por robôs é inevitável. Mas também é inegável que a Xiaomi está construindo uma vantagem competitiva gigantesca, pois ao dominar a combinação de inteligência artificial, robótica e manufatura, a empresa não apenas reduz custos: ela se posiciona como líder de um setor que ainda engatinha.
Em última análise, o que a Xiaomi está fazendo é transformar ficção científica em realidade. E quem conseguir escalar esse modelo primeiro terá em mãos não apenas fábricas mais produtivas, mas o poder de moldar o futuro da manufatura e do trabalho.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



