
Durante minha trajetória no marketing educacional, percebi que os dados contam histórias — e que o papel do profissional de marketing é saber escutá-las. Em um mercado cada vez mais competitivo, onde a escolha de uma escola ou universidade envolve emoção, propósito e confiança, a tecnologia se tornou essencial para compreender o comportamento das famílias e oferecer uma comunicação mais personalizada. Mas, mais do que converter leads, acredito que o verdadeiro objetivo do uso de CRMs e automação é transformar dados em relacionamentos.
Nos últimos anos, a digitalização acelerou o uso de ferramentas que organizam informações e automatizam interações. No entanto, o diferencial está em como usamos esses recursos. Um CRM eficiente não é apenas uma planilha sofisticada; é um mapa emocional da jornada do aluno e da família. Quando interpretamos dados com sensibilidade, conseguimos entender necessidades, prever dúvidas e oferecer soluções antes mesmo que elas sejam pedidas. Como afirmam Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017), “a tecnologia deve ser usada para aproximar as marcas das pessoas, e não para substituí-las”. No contexto educacional, isso significa usar a automação para gerar cuidado, e não apenas eficiência.
Tenho visto escolas e universidades alcançarem resultados extraordinários quando aplicam o marketing orientado por dados com propósito. Um simples fluxo de boas-vindas personalizado pode transformar a percepção de uma família sobre a instituição. Um e-mail enviado no momento certo pode gerar confiança e empatia. Segundo a Deloitte (2021), empresas que utilizam dados de forma humanizada têm até 25% mais chances de fidelizar clientes. No setor educacional, essa fidelização se traduz em pertencimento, recomendação e retenção — valores que vão muito além das métricas de conversão.
O desafio, no entanto, está em equilibrar tecnologia e humanidade. O CRM pode armazenar informações, mas cabe ao profissional interpretá-las com empatia. Isso exige formação contínua, sensibilidade e propósito. As melhores estratégias são aquelas que unem dados, intuição e autenticidade — e que veem cada contato não como uma oportunidade de venda, mas como um convite à construção de uma relação de longo prazo.
Na minha trajetória, especialmente junto à Full Sail University, aprendi que inovação e cuidado caminham juntos. O futuro do marketing educacional não está apenas em automatizar processos, mas em criar experiências que façam as pessoas se sentirem vistas, compreendidas e valorizadas. No fim das contas, os dados mais valiosos são os que nos ajudam a ser mais humanos.
Referências
Deloitte. (2021). The Future of Customer Engagement: Humanizing Data-Driven Experiences. Retrieved from https://www.deloitte.com
Kotler, P., Kartajaya, H., & Setiawan, I. (2017). Marketing 4.0: Moving from Traditional to Digital. Hoboken, NJ: John Wiley & Sons.
Com graduação em Arquitetura e Urbanismo, pós graduação em Administração, MBA em Empreendedorismo e Inovação, e Master in Digital Marketing, Carol Olival tem um perfil multidisciplinar e transita com segurança pelos mercados de educação, marketing, vendas e treinamento. Carol operou escolas próprias de inglês por 10 anos, e hoje é Community Outreach Director da Full Sail University, responsável pela criação e manutenção de comunidades internacionais para a universidade através da divulgação das imensas possibilidades que as carreiras na economia criativa oferecem.




