
Segundo o jornal Washington Post, os roteadores da marca TP-Link podem estar com os dias contados nos Estados Unidos. A possibilidade de uma proibição está se tornando cada vez maior, com o apoio de diversos departamentos e agências federais à proposta.
Vivaldo José Breternitz (*)
Em dezembro passado o Wall Street Journal revelou que os Departamentos de Comércio, Defesa e Justiça haviam passado a investigar a TP-Link, motivados por possíveis riscos à segurança nacional relacionados com supostos vínculos da empresa com o governo chinês. Desde então, pouco se falou sobre o assunto, até que, recentemente, a ideia da proibição foi aprovada por alguns órgãos do governo.
Ainda de acordo com o Washington Post, autoridades do Departamento de Comércio concluíram que os produtos da TP-Link representam risco por lidarem com dados sensíveis de cidadãos americanos, pois a empresa estaria sujeita à influência do governo chinês.
A TP-Link nega veementemente qualquer ligação com a China. A empresa, oficialmente chamada nos Estados Unidos TP-Link Systems, declarou ao site CNET que “como uma companhia americana independente, nenhum país ou governo estrangeiro, incluindo a China, tem acesso ou controle sobre o design e a produção de nossos produtos”.
Fundada na China em 1996 pelos irmãos Jianjun Chao e Jiaxing Zhao, a TP-Link passou por uma reestruturação em outubro de 2024, dois meses após membros do Congresso americano terem solicitarem uma investigação sobre seus roteadores; na ocasião, a empresa foi dividida em duas, a TP-Link Technologies e a TP-Link Systems. Esta tem sede na Califórnia, com cerca de 500 funcionários nos EUA e 11 mil na China, segundo o Washington Post. A TP-Link Systems pertence a Chao e à sua esposa.
Em documento oficial, parlamentares afirmaram que os roteadores são vulneráveis a ataques cibernéticos e seguem padrões ditados por leis chinesas; intensivamente usados por consumidores americanos, seriam uma porta de entrada para ciberataques em larga escala nos Estados Unidos, a serem desfechados pela China.
Desde o início da pandemia, a TP-Link se consolidou como uma das principais fornecedoras de roteadores nos EUA. Segundo o Wall Street Journal, sua participação no mercado saltou de 20% em 2019 para cerca de 65% em 2025. A empresa contesta esses números, e uma análise da plataforma Lansweeper aponta que apenas 12% dos roteadores domésticos em uso atualmente no país são da TP-Link, quase sempre distribuídos aos clientes por provedores de internet.
Paralelamente, o Departamento de Justiça conduz uma investigação antitruste para apurar se a TP-Link adotou práticas de preços predatórios, reduzindo artificialmente seus valores para eliminar concorrentes. A empresa nega, dizendo não vender produtos abaixo do custo.
A possível proibição agora está sob análise do Departamento de Comércio, tendo o Washington Post dito que as negociações em curso entre o governo Trump e a China podem reduzir as chances de uma proibição, ao menos no curto prazo.
É obvio que além da paranoia envolvendo espionagem e ataques cibernéticos, interesses de natureza comercial podem estar por traz da possível proibição do uso dos produtos TP-Link nos Estados Unidos.
Vale lembrar que os produtos da TP-Link são muto populares também no Brasil
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


