
É relativamente comum que, por razões culturais ou simples desleixo, profissionais de Tecnologia da Informação não deem muita atenção a um tema vital na área de cibersegurança: os backups.
Vivaldo José Breternitz (*)
A ausência de backup fez o governo da Coreia do Sul perder 858 terabytes de dados. O fato ocorreu em 26 de setembro e foi causado por um incêndio em baterias do datacenter do Serviço Nacional de Recursos de Informação em Daejeon – o sinistro destruiu também parte das instalações do datacenter.
Quase todos os dados ali armazenados tinham backup e puderam ser recuperados, exceto os do sistema G-Drive (sem relação com o Google Drive), o que levou à saída do ar de diversos serviços do governo, como os de e-mail, reclamações de cidadãos, correios e até mesmo o serviço nacional de emergência 119.
A volta desses serviços à relativa normalidade deve ocorrer em um cerca de um mês, embora muita coisa tenha sido definitivamente perdida.
Embora um incêndio em um datacenter seja um evento que pode acontecer em qualquer lugar a qualquer momento, é no mínimo intrigante ouvir uma fonte do governo afirmar que os dados do G-Drive foram perdidos porque “o sistema não podia ter um backup devido à sua grande quantidade de dados”.
858 terabytes é um número grande para um usuário doméstico, mas é uma quantia pequena na escala de armazenamento em datacenters, onde se lida rotineiramente com petabytes de informação. O fato é ainda mais estranho por ser a Coreia do Sul vista como um país tecnologicamente muito avançado.
Embora o incêndio em si não tenha causado vítimas, um funcionário do governo envolvido com o problema suicidou-se no dia 3 de outubro, aparentemente por considerar-se culpado pela ausência de backup. Quatro outros funcionários foram presos em conexão com o incêndio, sob suspeita de negligência criminosa.
Se a moda pega…
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

