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UGC: o que significa o termo e como as marcas podem explorá-lo?

em Negócios
segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Especialista detalha como empresas conseguem usar avaliações de consumidores para ganharem mais notoriedade crescerem no mercado

As estratégias que um empreendedor adota são fundamentais para o crescimento de seu negócio. Dentre o leque de opções, um caminho que tem despontado como um forte aliado é o UGC (“User Generated Content”, ou “Conteúdo Gerado pelo Usuário”, em português). O método se trata de qualquer tipo de conteúdo criado pelos próprios consumidores e não pelas marcas, independentemente da plataforma.

A ideia é servir como uma ferramenta de marketing autêntica e confiável, uma vez que os próprios clientes falarão sobre a empresa (ou o produto), o que aumenta a credibilidade e influência no mercado. O que comprova essa teoria é uma pesquisa feita pela Stackla, plataforma focada em marketing, que apontou que 79% dos entrevistados – consumidores em geral – afirmaram que o UGC influencia em suas decisões de compra.

Além disso, um estudo da Nielsen mostrou que 92% dos clientes confiam mais nas recomendações de outras pessoas do que em publicidade da própria marca. A especialista em marketing digital e CEO da Agência Majesto, Kelfany Budel, explica que as influências no meio virtual contribuíram para o destaque que o UGC conquistou ao longo dos anos.

“As marcas precisam de conteúdo constante e diverso, com pessoas diferentes aparecendo. Hoje em dia, todo mundo gosta de produzir para as redes sociais, então o UGC acabou virando uma forma natural de gerar essa diversidade de vozes e rostos que as empresas buscam”, diz.

Ela ainda reforça que a utilização da estratégia pelas empresas pode gerar ainda mais proximidade com seu público-alvo. “Ela pode ser explorada principalmente para mostrar os produtos na prática, de um jeito mais real e próximo. Quando alguém de fora da marca aparece usando ou indicando algo, esse conteúdo ganha muito mais credibilidade”, explica.

Os consumidores possuem algumas formas de aplicarem a estratégia para as marcas, como a criação de um conteúdo avaliando um determinado produto, por exemplo. Há também casos em que as empresas vão atrás desses criadores que tenham um perfil de “consumidor real” para realizarem comentários sobre um lançamento, um evento e afins.

De acordo com Budel, a diversidade de temas que podem ser abordados pelos criadores é um dos pontos que torna a ferramenta ainda mais valiosa, além da capacidade de “mostrar a marca em diferentes contextos e com pessoas distintas”. E, para toda técnica, há seus benefícios e riscos, que vão desde a acessibilidade até a identificação do usuário com a empresa.

“O maior benefício é ser uma alternativa mais acessível do que trabalhar só com influenciadores grandes. Além disso, transmite autenticidade. O risco é que, por não ter o mesmo alcance, o resultado pode não ser tão expressivo se o criador não for bem escolhido. Também é importante garantir que a pessoa tenha afinidade com a marca e consiga transmitir a mensagem de forma natural”, destaca.

Entre os formatos mais eficazes, a especialista pontua que o vídeo possui maior destaque, muito por conta da naturalidade apresentada pelos consumidores, além de reafirmar a ideia de aproximação com o público. O que colabora com isso são os dados da plataforma de marketing digital, Offerpop, que indicaram que 85% dos usuários acreditam que o conteúdo visual é o mais influente.

Atenção redobrada – Outro ponto destacado por ela é a atenção que as marcas precisam ter ao lidar com UGC, seja na escolha dos consumidores ou na republicação dos materiais. “O cliente pode postar sem receber nada, de forma autêntica, mas fora do controle da empresa. Já no pago, os criadores são contratados para gerar publicações planejadas. Nesse caso, é escolher perfis alinhados ao posicionamento da marca volta à pauta, além de sempre pedir autorização ao republicar materiais espontâneos”.

A falta de permissão para utilizar as postagens feitas pelos usuários pode gerar problemas jurídicos para as empresas, o que Budel identifica como um “erro muito visto” dentro do mercado. A especialista também avalia a necessidade de lidar com conteúdos negativos dos clientes sobre a marca. Para ela, “é ideal ter uma abordagem humanizada, com conversas entre negócio e consumidor a fim de entender os motivos para a publicação – e ainda com a chance de transformar a crítica em algo positivo”.

De olho no futuro – Para Kelfany, há algumas tendências para o UGC que poderão ganhar cada vez mais notoriedade no futuro, como o aumento de criadores nesse formato, bem como sua divulgação. “Hoje ainda é pouco explorado, mas tem muito espaço para crescer porque as marcas estão percebendo o potencial”, completa.