
A Foxconn, que produz equipamentos eletrônicos para terceiros, anunciou que está adquirindo uma participação na TECO Electric & Machinery Co., visando passar a ter um papel importante na implementação de centros de dados para inteligência artificial.
Vivaldo José Breternitz (*)
A empresa taiwanesa, que tem fábricas no Brasil, busca replicar no mundo da IA o sucesso que vem tendo com a eletrônica de consumo. A jogada pode dar à Foxconn acesso a um mercado potencial de US$ 1 trilhão em gastos de empresas com centros de dados nos próximos anos. A iniciativa a colocará em concorrência direta com gigantes como ABB, Siemens e Mitsubishi Electric.
Através de troca de ações, a Foxconn assumirá uma participação de 10% na TECO, empresa que começou como fabricante de motores, expandiu suas operações para áreas como veículos elétricos, armazenamento de energia e construção de centros de dados. A Foxconn, por sua vez, conhecida por ser uma montadora de iPhones e por ser uma parceira importante da Nvidia, produz também racks de servidores projetados para processamento de IA.
As duas empresas agora unem suas especialidades para, na prática, criar um “balcão único” para quem busca montar um centro de dados de IA.
A montagem de servidores de IA se tornou um tema central para a Foxconn, que busca diversificar suas receitas indo além da fabricação de eletrônicos de consumo. Segundo a empresa, sua receita com servidores de IA dobrou no segundo trimestre do ano. A Foxconn também demonstrou sua disposição em atuar em novas áreas, como a montagem de veículos elétricos e a fabricação de semicondutores.
Gigantes da tecnologia, como Amazon, Microsoft e Google, já anunciaram planos de gastar bilhões de dólares apenas neste ano em centros de dados, um mercado que Foxconn e TECO estão visando.
As empresas afirmaram que têm como alvo o mercado de Taiwan e de outras partes da Ásia, além do Oriente Médio e dos Estados Unidos. As duas empresas destacaram sua presença nos EUA e disseram que planejam “expandir a manufatura americana e remodelar a cadeia de suprimentos global”, seguindo o que vem propondo o governo Trump.
Esperemos que esses planos, de alguma forma, beneficiem também o Brasil.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].




