Futuro do Trabalho: “Fractional Executives” ganham espaço no Brasil

em Carreira e Mercado de Trabalho
sexta-feira, 27 de junho de 2025

Modelo atrai profissionais C-Level e empresas brasileiras em busca de flexibilidade, expertise e eficiência

A alta liderança está mudando de forma. Profissionais C-Level como CFOs, CMOs, CTOs e até CEOs estão cada vez mais aderindo ao modelo “fractional”, no qual atuam em uma posição de forma parcial, dedicando parte do seu tempo para diferentes empresas. A tendência, já consolidada nos Estados Unidos, começa a ganhar tração no Brasil — e promete transformar as relações de trabalho no topo das organizações.

De acordo Eliane Aere, presidente da ABRH-SP, essa nova abordagem está diretamente conectada à busca por maior flexibilidade no trabalho, ao crescimento do modelo de negócios em rede e à necessidade de pequenas e médias empresas de acessarem talentos estratégicos sem os custos fixos de uma contratação full-time.

“Estamos observando um movimento cada vez mais forte de executivos seniores que não querem mais estar presos a um único CNPJ. Eles preferem atuar em projetos de alto impacto, com liberdade, ao mesmo tempo em que compartilham sua expertise com diversas empresas”, explica a presidente.

Além da flexibilidade para os profissionais, o modelo também atrai empresas em momentos de transformação digital, expansão ou reestruturação, que precisam de inteligência estratégica, mas ainda não comportam (ou não desejam) contratações permanentes em nível C-Level.

Tendência alinhada ao futuro do trabalho
A ascensão dos fractional executives está alinhada com diversas transformações no mundo do trabalho: do crescimento da gig economy à valorização de modelos mais horizontais e colaborativos de gestão. A tendência também reflete uma mudança cultural entre profissionais experientes, que buscam mais autonomia e propósito em suas trajetórias.

“Esse modelo rompe a ideia tradicional de carreira linear e responde bem ao contexto atual, em que o conhecimento técnico e a capacidade de adaptação são mais valorizados do que o cargo fixo. É uma nova lógica de trabalho, que exige maturidade das lideranças e visão estratégica por parte das empresas”, finaliza Eliane.