
A Tesla vendeu 9.945 veículos na Europa em janeiro, uma queda de 45% em relação aos 18.161 do ano passado, de acordo com dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA).
Vivaldo José Breternitz (*)
A participação da Tesla no mercado europeu naquele mês caiu de 1,8% para 1%, o que parece sugerir que as intervenções de Musk nos assuntos políticos europeus e seu sua influência sobre o governo Trump estão levando a uma reação negativa dos consumidores.
O bilionário apoiou fortemente o partido de extrema direita alemão AfD na últimas eleições e o descreveu como a “melhor esperança para o futuro” da Alemanha – vale lembrar que partidos de extrema direita na Alemanha fazem lembrar os tempos sombrios do nazismo.
Musk também se envolveu na política do Reino Unido, acusando políticos de protegerem gangues ligadas à exploração sexual, apesar de não haver evidências acerca do assunto.
Emmanuel Macron, o presidente francês, juntou-se aos governos norueguês, britânico e alemão no início de janeiro para responder a uma enxurrada de postagens feitas redes sociais de Musk, sempre apoiando partidos de extrema direita e criticando políticos de outros partidos europeus.
Segundo a Bloomberg, em janeiro a Tesla teve o pior desempenho de vendas na Alemanha desde julho de 2021 – as vendas na França despencaram 63%, em seu pior desempenho no país desde agosto de 2022. No Reino Unido, pela primeira vez a Tesla vendeu menos veículos que sua concorrente chinesa BYD.
Os números ruins da Tesla são registrados em um mês no qual o mercado europeu de veículos elétricos cresceu 34%, para 124.341, representando 15% do mercado total de carros; já o mercado mundial desses veículos cresceu 37%.
Pesquisas do YouGov confirmam que a percepção dos cidadãos da Alemanha e do Reino Unido sobre a postura de Musk é ruim – 80% consideram-na inaceitável.
Fica uma dúvida: será que Musk considera que vale a pena perder o mercado europeu de veículos elétricos em troca de ganhar cada vez mais influência no governo Trump? Ou será que sua estratégia é ainda mais sofisticada?
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas.


