
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) lançou a operação Baltic Sentry (Sentinela do Báltico), que tem como objetivo proteger cabos submarinos que correm pelo Mar Báltico contra sabotagem.
Vivaldo José Breternitz (*)
A OTAN usará para isso cerca de 20 embarcações de superfície não tripuladas que operarão em conjunto com outros 12 navios e um número não divulgados de aviões dos países componentes da organização.
A operação foi lançada após vários incidentes terem ocorridos nos últimos meses. O primeiro deles aconteceu em novembro de 2024, quando um navio com bandeira chinesa danificou, aparentemente de forma proposital, dois cabos que conectam a Finlândia e a Suécia à Europa Central. Outro incidente aconteceu em dezembro, quando um navio ligado à Rússia cortou um cabo que liga Finlândia e Estônia.
O plano de implantação de drones marítimos já vinha sendo discutido, e sua implantação estava prevista para junho de 2025. No entanto, parece que a OTAN antecipou o cronograma em seis meses, especialmente em função da importância da infraestrutura a ser protegida.
Esses drones estão equipados com sensores ópticos, eletromagnéticos e de outros tipos; os dados coletados serão compartilhados com todas as partes interessadas. Há previsão de que novas tecnologias e outras áreas venham a ser cobertas de forma similar.
Do outro lado do mundo, Taiwan também está aumentando a vigilância de sua rede de cabos submarinos, após suspeitas de que um navio cargueiro chinês tenha tentado sabotar um cabo que conecta o país à Costa Leste dos Estados Unidos.
Segundo Taiwan, sua Marinha e Guarda Costeira monitorarão navios, especialmente aqueles que mudam repentinamente de velocidade ou seguem rotas erráticas e incomuns, o que os tornam suspeitos de estarem tentando sabotar os cabos submarinos; os taiwaneses disseram que inspecionarão ou apreenderão embarcações suspeitas, se necessário.
É uma nova frente, muito importante – o corte de cabos como esses pode prejudicar de forma muito grave as comunicações entre determinadas áreas, gerando problemas de natureza militar e comercial.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


