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Backup e caldo de galinha não fazem mal a ninguém

em Tecnologia
quinta-feira, 27 de março de 2025

Para comemorar o Dia Mundial do Backup, que acontece em 31 de março, na véspera do dia que é conhecido nos Estados Unidos como o Fool’s Day, ou o Dia dos Bobos, a Western Digital encomendou uma pesquisa visando entender as práticas de backup adotadas por pessoas físicas.

Vivaldo José Breternitz (*)

A Western é uma grande fabricante de discos rígidos, e foram ouvidas 6.118 pessoas em 10 países; a pesquisa mostrou que 87% dos entrevistados fazem backup de seus dados, seja manual ou automaticamente. Suas principais motivações incluem o medo de perder arquivos importantes (83%), a necessidade de liberar espaço nos dispositivos (67%) e a proteção contra ameaças cibernéticas (42%).

Apesar desses esforços, a perda de dados continua generalizada: 63% dos entrevistados relataram ter perdido dados devido a falhas de dispositivos, exclusões acidentais ou ataques cibernéticos.

Os dados pessoais se tornam cada vez mais valiosos no mundo digital de hoje: de registros de saúde e documentos financeiros a memórias preciosas capturadas em fotos e vídeos, a importância de proteger esses dados não pode ser subestimada, e a pesquisa mostrou que a maioria das pessoas reconhece essa realidade.

As consequências de não fazer backup podem ser catastróficas, como demonstram vários incidentes: durante a produção de Toy Story 2, lançado em 1999, um comando de servidor excluiu acidentalmente grande parte dos arquivos de animação do filme. Embora a equipe tivesse backups, eles estavam parcialmente corrompidos, deixando o futuro do projeto incerto. No final, o filme foi terminado com sucesso – mas não sem altos custos adicionais.

Um exemplo mais recente ocorreu em 2021, quando a OVHcloud, um dos maiores provedores de serviços de nuvem da Europa, sofreu um grande incêndio em seu data center de Estrasburgo, França. O incêndio destruiu um data center inteiro e danificou outro, tirando milhares de sites e serviços do ar – incluindo portais governamentais, bancos e plataformas de jogos. Embora alguns clientes tivessem serviços de backup adicionais, outros perderam dados críticos, porque dependiam apenas do armazenamento naquele data center, sem backups externos.

Em outro caso muito conhecido, também em 2021, um ataque de ransomware à Colonial Pipeline, uma empresa que opera oleodutos, paralisou a infraestrutura americana de distribuição de combustíveis, pois a empresa foi forçada a interromper as operações de cerca de nove mil quilômetros de seus oleodutos, gerando uma escassez generalizada de combustível na Costa Leste dos Estados Unidos.

Embora a Colonial Pipeline tenha pago um resgate de US$ 4,4 milhões, a empresa conseguiu retomar as operações em poucos dias, graças em parte aos seus backups de dados, que permitiram que fosse possível começar a restaurar sistemas críticos independentemente das ferramentas de descriptografia dos invasores.

À luz desses exemplos, adotar uma prática de backup confiável é extremamente importante. A estratégia de backup 3-2-1, que envolve armazenar três cópias de dados em dois tipos de mídia diferentes, com uma cópia fora do local, é recomendada.

No entanto, com os limites de armazenamento em nuvem gratuitos sendo rapidamente esgotados, muitos usuários estão recorrendo a uma abordagem híbrida que combina armazenamento em nuvem e armazenamento externo local – isso ocorre em função de 60% dos entrevistados terem esgotado o espaço de armazenamento em nuvem gratuito nos últimos seis meses, levando 56% a migrar para planos de backup pagos.

Parafraseando o velho ditado, backup e caldo de galinha não fazem mal a ninguém…

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – vjnitz@gmail.com.