Via Digital Motors

Lucia Camargo Nunes (*)

Montadoras a passos de caranguejo

O setor automotivo andou de lado no último mês. Na divulgação dos dados de agosto, a Anfavea indicou um leve aumento (0,3%) na produção de autoveículos (automóveis e comerciais leves) em relação a julho, assim como 1,1% no segmento de caminhões. As vendas dos autoveículos, contudo, recuaram -1,5% entre os dois meses, reflexo da baixa oferta. Foram licenciadas 172,8 mil unidades, segundo a entidade, o pior agosto desde 2005.

Os estoques (fábricas e concessionárias) atingiram o pior índice em duas décadas. Na virada do mês, o registro era de 76 mil unidades, o suficiente para apenas 13 dias de vendas. Por isso, a fila de espera por alguns modelos supera os seis meses e ainda não há previsão de quando isso será normalizado. A falta de semicondutores paralisou total ou parcialmente 11 fábricas no mês passado.

Perdas com a crise

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Luiz Carlos Moraes – Presidente da Anfavea. Foto: Mercedes-Benz

Um estudo do Boston Consulting Group, divulgado pela Anfavea, aponta que a crise dos semicondutores, que atinge vários segmentos no mundo incluindo o automotivo, deve a uma perda de produção global de 5 a 7 milhões de veículos em 2021.

No Brasil, estima-se que entre 240 e 280 mil unidades deixarão de ser produzidas este ano, de acordo com Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea. “No ano passado tínhamos boa produção no segundo semestre, mas uma demanda imprevisível em função da pandemia. Neste ano, temos a volta da demanda, mas infelizmente uma quebra considerável na produção”, avaliou.

SUVs em alta como nunca

Nesse momento crítico de mercado, os utilitários esportivos se destacam positivamente. Pela primeira vez na história, as vendas dos SUVs superaram a soma de hatches e sedãs no país. Outro destaque foram os veículos eletrificados: os híbridos e elétricos tiveram participação recorde nas vendas, com 3.873 unidades, o que representou 2,4% de todo o mercado.

Novo Jeep é 100% nacional

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Jeep – das novas montadoras é a que mais vende atualmente. Foto: Grupo Stellantis.

A Jeep, que lidera o segmento de utilitários esportivos, lançou o Commander, SUV de 7 lugares. Considerado de grande porte, o novo Jeep com preços entre R$ 199.990 e R$ 279.990, é o maior e mais sofisticado da categoria produzido no país.

Em quatro versões, com opções de motor turboflex 1.3 de até 185 cv de potência ou turbodiesel 2.0 de 170 cv, o Commander é o primeiro modelo 100% nacional da Jeep. A montadora classifica como principais rivais o Volkswagen Tiguan Allspace e Mitsubishi Outlander. Na prática, o Commander deve brigar também Toyota SW4, Caoa Chery Tiggo 8, Chevrolet Trailblazer e Land Rover Discovery Sport, entre outros.

O Commander chega às concessionárias no fim de outubro. Na sua pré-venda, segundo a marca, os três lotes com 2.800 unidades foram esgotados em seis horas. A pré-venda vai até 7 de outubro e quem participa dela recebe o chamado “welcome kit” e três primeiras revisões gratuitas. O kit de boas-vindas é composto por uma mala de viagem de couro e um nécessaire com produtos Trousseau. Para participar, o cliente precisa antecipar um sinal de R$ 5 mil pelo carro.

Jeep vai bem, Fiat melhor ainda

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Processo Produtivo Nova Strada – Foto Leo Lara/Studio Cerri

Antes mesmo do Commander chegar às lojas, os dois primeiros Jeeps produzidos em Goiana (PE) – Renegade e Compass –, aliás, são os responsáveis por elevar a montadora ao market share de 9,6% no acumulado até agosto, ficando em 5º no ranking de automóveis por marcas, à frente de Toyota, Renault e Honda, por exemplo.

A parceira Fiat, do mesmo Grupo Stellantis, também surfa na boa onda. Com suas líderes picapes Strada e Toro abocanha 51,3% do segmento dos comerciais leves, o que ajuda a marca a ser líder de mercado de autoveículos atualmente, com 23,1% de participação. A Volks vem atrás com 15,5% e a GM, 10,8%. Os dados são da Fenabrave.

Parceria com ações sustentáveis

É comum, principalmente em lançamentos, as montadoras investirem em marcas parceiras, como faz a Jeep com a Trousseau. Outra recente parceria da Jeep foi com a Mastercard, por meio de um cartão chamado Jeep Card.

Na pegada ESG, além da marca permitir que o portador utilize nome social, o cartão é produzido com plásticos retirados do mar. “Os consumidores estão mais conscientes em relação ao impacto ambiental após a pandemia. Por isso, produzir cartões com materiais mais sustentáveis é um passo importante no avanço das medidas em prol do meio ambiente, globalmente e a longo prazo”, disse o gerente geral da Mastercard, Estanislau Bassols.

(*) É economista e jornalista especializada no setor automotivo. E-mail: [email protected]

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