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Abra mão do mindset

Com o aumento da mobilidade e das equipes de trabalho globalizadas e multiculturais, líderes dos mais variados setores da economia têm um novo desafio pela frente: aprender a lidar com a cultura específica de pares, colaboradores e stakeholders com os quais ele atua e negocia

Eliana Dutra (*)

E uma das premissas para ser bem sucedido é duvidar do próprio bom senso, mas isso fica forada nossa zona de conforto e mindset.
Afinal, se fazer negócios com pessoas que possuem a mesma cultura que a nossa pode, em alguns momentos, ser uma tarefa delicada, com profissionais que atuam em outros países sem deixar que as peculiaridades atrapalhe, é ainda mais desafiador. Tornar todas essas interações produtivas, gerando bons resultados e num clima organizacional positivo é uma façanha que requer habilidade.
Antes de tudo, é preciso entender que para atuar globalmente o profissional precisa, primeiro, flexibilizar sua visão de mundo. Essa é uma tarefa difícil e que exige atenção, pois as experiências que adquirimos ao longo da vida e a influência da cultura da nossa nacionalidade fazem com que a consideremos um modelo a ser seguido.
No entanto, o que é “normal” para você raramente será para uma pessoa de cultura diferente, ou seja, a máxima “é assim que fazemos as coisas por aqui” já não cabe mais no atual contexto globalizado. Até porque cada país possui suas próprias normas, padrões de comportamento e formas de fazer negócios. Segundo Richard D. Lewis em seu livro "When Cultures Collide: Leading Across Cultures", a medida que a globalização dos negócios reduz as distâncias entre os executivos, há uma crescente percepção de que, se analisarmos conceitos e valores, não podemos aceitar quase nada como garantido.
Richard ainda dá um exemplo concreto: ”a palavra contrato traduz-se facilmente nas mais diversas línguas, mas tem muitas interpretações. Para um suíço, escandinavo, americano ou britânico, um contrato é um documento formal que foi assinado e deve ser respeitado. Porém, um empresário japonês considera um contrato como um documento inicial para ser reescrito e modificado, conforme as circunstâncias exigirem. Já um sul-americano vê isso como um ideal que é improvável de ser alcançado, mas que é assinado para evitar discussões”.
Logo, o líder deve se questionar sempre: “esse meu comportamento pode ser visto de qual maneira em outras culturas?”; “Ele gerará confiança? A partir dessa reflexão é possível encontrar um ponto em comum com uma cultura completamente diferente da sua e construir um laço de credibilidade com os outros profissionais e colaboradores ao redor do mundo. Dessa forma, será possível começar de fato a trabalhar globalmente de forma produtiva.
Tratar os outros como eles gostariam de serem tratados também pode ser um trunfo valioso a favor do líder, tendo a consciência de que os seus padrões e valores provavelmente serão diferentes de profissionais que trabalham em outros países. Por exemplo, os fusos horários são variados, logo é importante entrar e sair de uma conferência telefônica no horário combinado. Contudo, é preciso entender que na Suíça pontualidade é chegar exatamente na hora marcada, mas na Itália e mesmo no Brasil, alguns minutos de atraso são tolerados, enquanto no Canadá pontualidade é chegar 15 minutos antes. Assim, o que parece ser uma situação corriqueira do dia a dia pode gerar ruídos de comunicação ou até mesmo, em alguns casos, problemas com a equipe ou com os negócios.
Enfim, é preciso estudar, fazer uma imersão na cultura do outro, dos seus padrões de comportamento, das boas práticas, como eles se comunicam, negociam etc. É essencial ainda saber ouvi-los, sem julgamentos. Tal conhecimento atrelado a mudança da percepção que seu “way of life” é o único certo aumentará, consideravelmente, não só a sua competência para atuar com equipes multiculturais como também sua trabalhabilidade a nível global.

(*) É CEO da ProFitCoach, Master Coach Certified pela ICF e Sócia-Fundadora do Grupo Nikaia.

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