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O que os astronautas têm a ensinar às marcas?

Se nossa razão de existir é ajudar grupos de pessoas a conquistarem feitos incríveis nas empresas, que melhor simbolismo para ilustrar isso do que astronautas e a conquista do espaço?

Francisco S. Homem de Mello (*)

Desde o começo do século 20, a humanidade é fascinada com o céu e suas possibilidades infinitas. Primeiro veio o avião e, depois da Segunda Guerra Mundial, a ambição de conquistar o espaço, turbinada pelo comprometimento assumido por John F. Kennedy, presidente dos EUA que, na década de 60, fez um discurso na cidade de Houston, no Texas.
A fala, que é um marco importantíssimo na exploração do espaço, Kennedy disse sobre a meta de chegar à lua antes do fim da década: um acontecimento marcado por esforços espaciais e o estabelecimento da grande meta que fez os EUA conseguirem esse feiro antes mesmo do fim da década de 60. No mesmo discurso, Kennedy reconhece a enorme dificuldade da meta – que é chegar à lua –, mas que isso serviria para que todos concentrassem suas energias e remassem na mesma direção.
O que ele fez foi alinhar os esforços de uma nação inteira aos ideais de uma meta – uma conquista, um feito, que era desbravar o espaço. E organizações são, fundamentalmente, a mesma coisa: gente que se junta para realizar uma missão muitas vezes incrivelmente difícil. Paixão, excelência e garra: isso tudo são os astronautas! Se nossa missão tem tudo a ver com ajudar gente, que se junta para conquistar grandes feitos, os astronautas simbolizam o que há de mais nobre no ser humano.
Astronautas são intensamente apaixonados pelo que fazem. A maioria deles decidiu, desde pequeno, que queria fazer isso para o resto da vida. Ser um desses é, talvez, uma das jornadas mais difíceis do mundo. Para ser astronauta, é preciso ser formado em engenharia, física, biologia ou matemática. A maioria, no entanto, possui mestrados e PhDs. Mas não é só isso... vem do exército, são necessárias mil horas voando jatos de caça da aeronáutica ou marinha. Depois vem a parte física: visão, saúde cardiovascular e altura, sendo também requisitos.
O próximo passo é passar pela academia de candidatos: um curso de dois anos em que aprendem sobre as tecnologias e realidades do espaço, como o funcionamento da Estação Espacial Internacional; se tornam mergulhadores certificados; são treinados em sobrevivência no mar; aprendem russo e passam pelo famoso acelerador gravitacional que vemos nos filmes. Quando se formam astronautas, esses profissionais podem passar muitos anos sem nenhuma missão espacial. Ficam apenas treinando, treinando e treinando. Quando alocados a uma missão, passam mais algo em torno de dois anos se preparando apenas para isso.
Isso é garra pura! Para não falarmos de quando eles, de fato, “viram” astronautas: imagine o quanto é difícil passar por uma missão, em que as chances de você não retornar são relevantes, e passar seis meses em uma lata de alumínio, de alguns metros de diâmetro, a um punhado de mil metros da terra. É mole? Além disso, astronautas não podem trabalhar em equipe: são cinco adultos trabalhando nesse espaço, que precisam atingir resultados, executar projetos (como pesquisas científicas, manutenção em equipamentos e os famosos spacewalks), além do time da terra, que trabalha durante vinte e quatro horas por dia no monitoramento.
É uma equipe de mais de cinco mil pessoas, todas apaixonadas pelo espaço, buscando a excelência como prerrogativa, e dedicando suas vidas a uma causa. Eu, enquanto empreendedor de um negócio, também me considero um astronauta, pois é preciso revolucionar a forma com que as empresas trabalham, feito de dificuldades comparáveis à conquista do espaço. Se formos bem-sucedidos nessa jornada, vamos ajudar nossos clientes, organizações de todos os tipos e setores, a conquistar feitos incríveis, e a ter um impacto gigante e positivo no mundo. Para isso acontecer tem que ter, nada menos, do que astronautas no time: ou seja, gente apaixonada, raçuda e excelente, como todas as pessoas que trabalham em volta das viagens espaciais.

(*) É fundador da Qulture.Rocks, software de gestão de desempenho, startup residente no Cubo Itaú – maior centro tecnológico de empreendedorismo da América Latina. Mello é especialista e estudioso em cultura organizacional. Autor do livro The 3G Way: Dream, People, and Culture, figurando entre os mais vendidos da Amazon em estratégia e negócios.

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