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Só empresas leves sobrevivem em um ambiente pesado

José Luiz Panzeri (*)

Queda nas vendas, redução da lucratividade, dificuldade de acesso ao crédito, aumento das taxas de juros e custos crescentes.

Não há dúvidas que vivemos dias de pesadelo para qualquer empresa, que tornam o ambiente econômico o mais pesado possível. Diante deste cenário, toda empresa precisa reduzir suas despesas para sobreviver. Mas como fazer esse corte de custos? O receituário padrão, seguido pela grande maioria das companhias, adota o corte de pessoal como primeira medida. Acredito, porém, que esse remédio amargo está ultrapassado porque combate muito mais os sintomas da doença do que suas causas.

Ao demitir parte de seus funcionários, a empresa continuará realizando seus processos da mesma forma no dia seguinte. A diferença é que as pessoas que ficaram estarão mais pressionadas e desestimuladas. Isso sem falar no tempo e dinheiro investidos em treinamentos que foram embora junto com os demitidos. Para ser uma organização leve e de baixo custo é preciso rever completamente a forma de se operar. Apenas uma radical redução das despesas pode proporcionar isso. No entanto, essa redução só é possível com a ajuda de quem conhece profundamente os processos da companhia: seus funcionários.

Quando fui Diretor de Recursos Humanos da American Express implantamos um programa de Análise de Valor em meio a uma crise econômica. Em 45 dias conseguimos definir uma nova forma de operar com uma redução de despesas na casa das dezenas de milhões de reais, corte de custos acima de 20% por departamento, em alguns setores bem mais que isso, e sem demissões em massa. No dia a dia, envolvidos em nossas obrigações, vamos tocando o barco como sempre fizemos, com os mesmos processos. Ninguém tem tempo de questionar por que faz o que está fazendo. É preciso reinventar os processos para conseguir uma forte redução de custos.

É com esse objetivo que a empresa deve mapear, em conjunto com uma equipe selecionada, as atividades e serviços decorrentes de cada departamento. Depois, com a ajuda das áreas de Finanças e Recursos Humanos, identificar o custo baseado por atividade (ou ABC, como é o jargão conhecido). Neste momento, fica claro para os participantes qual é o custo real de cada atividade, serviço e processo da organização. A partir desse ponto, é o momento de criar uma ampla discussão sobre a melhor forma de simplificar tudo que é feito, perguntando: por que fazemos isso? Por que fazemos dessa forma? É possível fazer de outro jeito e mais barato?

Isso se faz com a participação das pessoas e não com sua demissão. Com a abordagem participativa, um programa criterioso de revisão faz com que as oportunidades de redução de custos sejam visualizadas pelos próprios funcionários. Estes, à medida que têm o desafio de fazer mudanças que beneficiem a empresa nesta época de crise e pensam em uma radical redução de custos usando as técnicas de análise de valor, assumem o papel de agentes da mudança.

A grande sacada é justamente o envolvimento das pessoas. Pois, não se trata de um corte de despesa imposto: mas de criar um futuro melhor a partir de uma análise crítica de como são feitas as atividades até hoje na empresa, abandonando velhos métodos e adotando novos. É em conjunto com as pessoas e a direção da empresa que as ideias surgidas são aperfeiçoadas com análises de seus benefícios quantitativos e qualitativos, determinação de recursos e tempo necessários para implantação e as propostas são aprovadas. Tudo isso pode ser feito em algumas semanas.

E assim, o ambiente pesado de pressão e pessimismo é substituído pelo clima de entusiasmo da mudança, com o medo dando lugar a animação de transformar a empresa em uma organização leve e ajudá-la a atravessar a crise.

Ouvir as pessoas da sua empresa dá resultado: elas têm muito a dizer!

(*) - É sócio da Panzeri Consultores, membro da ABRH, da ABEAV, conselheiro do Grupo G3RH e foi Vice-Presidente e Diretor de empresas nacionais e multinacionais.

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