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O Brasil e a dívida

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Estamos mais uma vez no buraco, pois deixaram a dívida subir. A arrecadação caiu. Faltam bilhões, sem contar os juros.

Está em curso no mundo uma disputa pelo poder financeiro e tecnológico. A especulação financeira continua desenfreada. A China aproveita os fatores favoráveis e vai produzindo e colocando seus produtos no resto do mundo com poucos empregos, trocando-os por dólares, enquanto os outros, Brasil na frente, estão desorientados, brigando escandalosamente pelo poder interno e precisando equilibrar as contas para segurar a dívida irresponsavelmente descontrolada para poder tomar novos empréstimos, pois não podem emitir para não depreciar a moeda.

Os supersalários públicos e as superaposentadorias contêm abusos e privilégios anormais. A queda na renda já afeta o consumo. Aumentar a produção é imperativo. O monetarismo colhe ganhos até onde dá, depois fica sem maiores alternativas para ativar a produção e consumo que requerem atividades úteis. Sem produção, a circulação do dinheiro vai perdendo velocidade, trazendo estagnação e deterioração.

Há uma nova turbulência, e é na economia que os efeitos se fazem sentir primeiro. Tudo está em ebulição no Brasil e no mundo, inclusive a mania de grandeza dos homens que estão demonstrando a completa ausência do bom senso para recuperar o equilíbrio perdido. Mas o destino é implacável com os desatinos. O mundo está se tornando um depósito de esquizofrênicos. Já começa na infância com a falta de conexão com o eu interior. Vai prosseguindo com a falta de propósitos advindos do querer da alma trazendo forte motivação.

Está aberto o caminho para o vazio da vida sem sentido, para os transtornos emocionais e uso de drogas. Na fase atual, tudo acontece aceleradamente, muitas vezes nos pegando de surpresa, gerando ansiedade. É preciso cultivar a serenidade, só assim damos chance para que o espírito possa examinar intuitivamente e nos alertar.

Há muito dinheiro sem ter em que ser aplicado. Os BCs baixam os juros, mas para o pequeno tomador, os juros permanecem caros. Nos países em geral caiu a produção de manufaturas. Os bens importados geram poucos empregos e levam divisas para fora. Cai o salário, afetando o consumo. Juros negativos não conseguem resolver o problema do desequilíbrio na produção. Tudo junto gera a tal de estagnação secular de produção e empregos em rota descendente.

É o fundo do poço. Os serviços dependem da renda auferida pela população em outras atividades. Bancos automatizam. Governo corta tudo. Indústria não sabe o que fazer com a superprodução global em liquidação. Na globalização, como novo mercantilismo, as nações estão produzindo com todos os artifícios visando os mercados externos para trocar manufaturas por dólares.

As nações da América do Sul permanecem endividadas e fornecedoras de commodities. Amigos do Brasil seriam os países que viessem investir para aumentar produção e empregos, mas no atual desequilíbrio da economia o mundo vive o salve-se quem puder, como se observa na guerra das tarifas. A economia brasileira anda mal já faz tempo devido ao artificialismo nos juros, no câmbio, na fragilização da indústria, no preparo da mão de obra.

Predominam as falcatruas e corrupção. A bolsa, como em outras regiões, deveria funcionar como plataforma de investimento e desenvolvimento, mas se tornou a mina onde os garimpeiros buscam ouro; funciona como cassino onde o dinheiro esperto cava oportunidades de ganhos. No mundo globalizado, não basta o simples comércio para a paz democrática. No Brasil, exportamos as montanhas de minério, mas contamos mais de 13 milhões de desempregados.

A paz e a democracia deverão ser consolidadas com o equilíbrio econômico e comercial entre os povos. Para competir com China e Coreia do Sul, será que os países terão de impor 72 horas de trabalho por semana sem adicional de hora extra? Muito do comércio mundial tem dado vantagens para uns em prejuízo de outros, o que abriu o caminho para líderes nacionalistas, pois as repúblicas não ofereceram o esperado pela população.

O Brasil não deve continuar a ser tratado como colônia de commodities e permanecer decadente.

(*) - Graduado pela FEA/USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista e realiza palestras sobre qualidade de vida. Coordena os sites (www.vidaeaprendizado.com.br) e (www.library.com.br). E-mail: (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.); Twitter: @bidutra7

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