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Uma estratégia de mãe

 

 

                                                                                                                                                           * J. B. Oliveira

 

 

“Estratégia. 1. Arte militar de planejar e executar movimentos e operações de tropas, navios e/ou aviões, visando a alcançar ou manter posições relativas e potenciais bélicos favoráveis a futuras ações táticas sobre determinados objetivos. (...) 3. P. ext. Arte de aplicar os meios disponíveis com vista à consecução de objetivos específicos”. (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa).

É impressionante o que uma mulher pode fazer por amor! Quando ama, nada se torna obstáculo intransponível para ela. De sua fragilidade, emergem forças físicas, morais e espirituais inimagináveis! De modo especial, a mulher-mãe! Ao dizer isso, vem-me à mente a figura de minha própria mãe.

Media apenas um metro e cinquenta centímetros (eu lhe dizia que tinha a estatura exata de uma fita métrica...). Era, além disso, bem magra, pesando não muito mais que 50 quilos... Entretanto, foi gigante em toda sua vida. Aos 17 anos de idade, casou-se com meu pai e, ao longo de 58 anos – até ele falecer – acompanhou-o em todas as suas muitas e pesadas lutas.

Ele foi um dos desbravadores do então sertão do extremo oeste de São Paulo, onde hoje se localiza uma metrópole chamada Presidente Prudente, que conta com cerca de 210.000 habitantes, e é o polo econômico e sociocultural da Alta Sorocabana. Entretanto, tudo era sertão quando ali chegaram. Tanto isso é certo, que a primeira emissora de rádio instalada no município – a PRI-5 – tinha por slogan “A voz do sertão”!

Fui o nono de seus dez filhos. E todos recebemos sua orientação, seu cuidado e sua rigorosa disciplina. Ninguém falava, aliás, sequer imaginava, um palavrão... Foi com ela que aprendi a ler a Bíblia, hábito salutar que mantenho até hoje.

Mas não é à minha mãezinha, já há anos “no andar de cima” que se refere esta crônica, mas sim a alguém que viveu muitos séculos antes dela. Chamava-se Joquebede, nome hebraico que significa “Jeová é glória” (Yoháved). Era esposa de um homem da tribo de Levi, chamado Anrão. À época desta história, os hebreus estavam no Egito. Haviam ido para lá 400 anos antes, levados por José, que era o governador daquele país, a que chegara como escravo! Entretanto, tornara-se o homem mais forte do Egito, onde o denomiram “Zafenate Paneá”: o salvador do mundo...

Contudo, com o passar de muitas gerações, a situação dos hebreus mudou. Os privilégios e estima de que gozavam no início, converteram-se em cruel e pesada escravidão. Isso porque haviam-se tornado mais numerosos do que os egípcios, e faraó temia que, em caso de guerra externa, eles se aliassem aos inimigos. Para conter seu crescimento, faraó determinou que todos os recém-nascidos de sexo masculino fosse mortos.

Então, no lar de Joquebede, nasce Moisés. Apesar da ordem de faraó, ela o oculta por três meses, após o que isso se torna difícil e arriscado para toda a família. É quando seus coração e mente de mãe engendram um plano original: faz um cesto de vime, impermeabiliza-o com betume, deposita nele o bebê, e o coloca no rio, no ponto em que a filha de faraó se banhava com suas aias... Claro que – sendo mulher – ela sentiu curiosidade em saber o que havia ali.

Vê, então, chorando, um bebê dos hebreus, muito bonito. Nessa hora, complementando o plano, surge Miriam – irmã de Moisés – e diz: “queres que eu chame uma ama das hebreias para que crie este menino para ti?”. Com a concordância da princesa, ela traz Joquebede, a quem a princesa diz: “Leva este menino, e cria-o para mim; e eu te darei teu salário”.

Pronto! A estratégia funcionou perfeita e abençoadamente: Joquebede salva seu filho, cria-o a seu modo, e ainda recebe salário por isso.
E é esse menino Moisés – o “salvo das águas” – que vai se tornar o libertador e o maior líder de seu povo.

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