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J. B. Oliveira

 

Uma mesma lição: em São Tiago e na natureza...

 

 

                                                                                                                                                           * J. B. Oliveira

 

 

“Sabeis isto, meus amados irmãos, mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus”. (Carta de São Tiago, capítulo 1, versículos 19 e 20).

Há, no Novo Testamento, pelos menos três personagens com o nome de Tiago. Um deles é Tiago, filho de Zebedeu e irmão de João, que integrava o círculo mais próximo de Jesus. Em momentos mais íntimos – como na transfiguração – estavam com o Mestre: Pedro, Tiago e João. Aguerridos, ele e seu irmão são denominados “Boanerges”, isto é: filhos do trovão. A razão disso era sua impetuosidade.

Certa ocasião, os samaritanos recusaram a passagem de Jesus por seu território. Irados, João e seu irmão Tiago disseram: “Senhor, quer que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez? Voltando-se, porém, repreendeu-os e disse: Vós não sabeis de que espirito sois...” (Evangelho de Lucas, 9: 54-55).

Outro era Tiago, filho de Alfeu, chamado de “menor”, para não confundir com o anterior. Integrava o grupo dos apóstolos: “Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: O primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Felipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Lebeu, apelidado Tadeu: Simão, Cananita, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu.” (Evangelho de Mateus, 10: 2-3).

O terceiro é Tiago, designado como Tiago de Jerusalém, citado como irmão de Jesus, em dois textos evangélicos: Mateus 13, 55 e Marcos 6, 3: “Não é este (Jesus) o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão e Judas?”... “Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco suas irmãs?...”.

Sua Carta, composta de apenas cinco capítulos, é recheada de preciosos ensinamentos, dos quais se destaca o citado acima: “todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar...”!

Uma das mais sábias e sadias atitudes do bom comunicador é SABER ESCUTAR! Não apenas OUVIR, que é função automática de quem tem ouvidos. É escutar, sabendo que essa palavrinha veio do verbo latino “auscultare”, o mesmo que designa a ação que o médico executa com o estetoscópio, para ouvir com acuidade, com atenção o que se passa lá dentro da pessoa...

Depois de muitos anos ministrando cursos de Oratória, cheguei à conclusão de que eu teria sido mais útil à sociedade se ministrasse curso de ESCUTATÓRIA!

A natureza, por sua vez, vem completar e ilustrar essa preciosa lição com a singeleza da anatomia humana: temos UMA boca e DOIS ouvidos! Isso não terá um profundo significado?

Seria muito bom, prudente e oportuno que os novos dirigentes de nosso glorioso e esperançoso país levassem isso em consideração. Afirmações seguidas de retificações geram desconforto e minam a grande expectativa que temos todos nós de um novo, vitorioso e venturoso Brasil: o Brasil que queremos e que merecemos!

 *J. B. Oliveira, consultor de empresas, é advogado, jornalista, professor e escritor.

É membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Cristã de Letras.

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