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Paisagista pede que pessoas não se omitam ao ouvir pedido de socorro

A paisagista Elaine Caparroz, violentamente agredida durante um encontro, pelo advogado Vinícius Serra, fez um apelo para que vizinhos ajam e chamem a polícia sempre que escutarem uma mulher pedindo por socorro.

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A paisagista Elaine Caparroz prestou depoimento e defendeu o combate ao feminicídio. Foto: Vladimir Platonow/ABr

Ela prestou depoimento na 16ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, à delegada Adriana Belém. Também fez questão de agradecer às pessoas que a socorreram, após a sessão de agressões impetrada pelo jovem que ela conheceu pela internet e o recebeu em seu apartamento, no último dia 16, na Barra da Tijuca.

“Eu quero agradecer às pessoas que salvaram a minha vida, porque quando fui encontrada, estava praticamente morta. Gostaria de agradecer a todo o trabalho impecável da polícia e espero que a Justiça ratifique esse trabalho, porque eu estou tendo a oportunidade de expor tudo o que eu passei, mas muitas mulheres não têm essa oportunidade”, declarou Elaine.

A delegada Adriana Belém disse que concluiu o inquérito e o remeteu à Justiça, que poderá pedir novas investigações, se for o caso. Segundo ela, Vinícius foi enquadrado por tentativa de feminicídio, independentemente se ele for avaliado, posteriormente, com algum problema mental, como chegou a argumentar, de que teve um surto. “Eu não posso entender que uma pessoa dessas seja capaz de conviver na sociedade”, disse Adriana Belém. A delegada também enfatizou que é necessário agir quando alguém pede por socorro, chamando a polícia ou tomando alguma atitude.

A gente aproveita a oportunidade para pedir às pessoas não se calarem diante de um pedido de socorro. Talvez a Elaine tenha tido sua vida preservada porque lutou até o final, pediu socorro e foi ouvida. Essa máxima de que em briga de marido e mulher ninguém se mete, tem que se meter, sim. É uma vida que podemos salvar ali. Desde que ouçam um grito de desespero, as pessoas têm que se humanizar, têm que chamar a polícia, sim, tem que tentar ajudar”, disse a delegada.

O agressor, que é formado em direito, está custodiado em um hospital psiquiátrico, onde passará por exame de sanidade mental. Segundo Adriana Belém, ninguém de sua família, embora convocados a prestarem depoimento, esteve na delegacia (ABr).

Mais de 500 mulheres são agredidas por hora no Brasil, revela pesquisa

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Mulheres são assediadas em ônibus, nas ruas e no ambiente de trabalho. Foto: Secretaria da Mulher/DF

Agência Brasil

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que mais de 16 milhões de mulheres, cerca de 27,35% das brasileiras, sofreram algum tipo de violência durante o ano passado. De acordo com a pesquisa, 536 mulheres são agredidas por hora no país, sendo que 177 sofrem espancamento.

A pesquisa do Instituto Datafolha ouviu 2.084 pessoas em 2018. Mais da metade (52%) das entrevistadas declarou que não procurou ajuda após as agressões; 15% falaram sobre o assunto com a família; 10% fizeram denúncia em delegacias da Mulher; 8% procuraram delegacias comuns; 8% procuraram a igreja e 5% ligaram para o telefone 190 da Polícia Militar.

A violência foi cometida, em 76,4% dos casos, por conhecidos, como cônjuge (23,9%), ex-cônjuge (15,2%), irmãos (4,9%), amigos (6,3%) e pais (7,2%). Os números indicam que o grupo mais vulnerável está entre os 16 e os 24 anos, pois 66% das mulheres nessa faixa etária sofreram algum tipo de assédio. Na faixa dos 25 aos 34 anos, o índice é de 54% e, dos 35 aos 44 anos, de 33%.

O assédio, que, segundo a pesquisa, atingiu 37% das mulheres, aparece em forma de cantadas ou comentários desrespeitosos ao andar na rua (32%), cantadas ou comentários desrespeitosos no ambiente de trabalho (11,46%) e assédio físico no transporte público (7,78%). Em casas noturnas, 6,24% das mulheres disseram que foram abordadas de maneira agressiva, com alguém tocando seu corpo; 5,02% foram agarradas ou beijadas à força e 3,34% relataram tentativas de abuso por estarem embriagadas.

Casos de feminicídio põem em alerta a sociedade

O aumento dos casos de feminicídio no país está no horizonte não só do governo federal, mas de organismos internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Conforme levantamento da Cepal, vinculada à ONU, a cada dez feminicídios cometidos em 23 países da América Latina e Caribe em 2017, quatro ocorreram no Brasil. Naquele ano, ao menos 2.795 mulheres foram assassinadas na região. Desse total, 1.133 foram no Brasil.

Já o Atlas da Violência 2018, feito pelo Ipea e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou uma possível relação entre machismo e racismo, assinalando que a taxa de assassinatos que vitimaram mulheres negras cresceu 15,4% na década encerrada em 2016. Ao todo, a média nacional, no período, foi de 4,5 assassinatos a cada 100 mil mulheres, sendo que a de mulheres negras foi de 5,3 e a de mulheres não negras foi de 3,1.

Nadine Gasman, que representa, no Brasil, a ONU Mulheres, disse que a educação é o instrumento capaz de reduzir conflitos e promover igualdade. "O reconhecimento das relações de poder entre homens e mulheres nos permite entender, por exemplo, por que as mulheres estão, ao mesmo tempo, estudando e trabalhando mais e ganhando menos. É um problema estrutural”, afirmou.

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